Delegado descarta quarto suspeito em morte de adolescente no Rio

Mulher nega que tenha incentivado crime após briga em festa

Daniel Gonçalves e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

O titular da delegacia de São Gonçalo, Geraldo Estefan, descartou a participação de uma quarta pessoa na tortura e assassinato do adolescente Alexandre Thomé Ivo Rajão, de 14 anos, morto na madrugada do último dia 21 de junho. Segundo Estefan, um jovem que seria suspeito do crime foi ouvido no final da tarde desta segunda-feira.

ARQUIVO PESSOAL
Alexandre foi encontrado morto em São Gonçalo
“A participação dele foi descartada. Havia testemunhas que comprovam que ele estava em outro lugar na hora do crime”, informou Estefan. Os três principais suspeitos do crime estão presos e foram identificados como Eric Boa Hora Bedruim e Alan Siqueira Freitas, ambos de 22 anos, e André Luiz Cruz Souza, de 23. O trio nega as acusações.

A jovem que teria sido o estopim da briga que causou a morte do adolescente também foi ouvida. Ela negou ter incitado o crime e, por enquanto, a polícia não vai pedir prisão preventiva para ela. Uma testemunha que mora próximo do local onde o corpo foi achado ainda vai prestar depoimento.

A polícia suspeita que os três jovens acusados do assassinato façam parte de um grupo de skinheads, que pregam a homofobia e o ódio contra negros. Eles podem ser indiciados por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe. A pena prevista é de 12 a 30 anos de detenção. “Eles se definiam como skinheads pelas localidades próximas. Era uma denominação que eles mesmos sempre gostavam de falar”, disse o delegado ao iG .

Estefan revelou que vai pedir a quebra do sigilo telefônico dos acusados para tentar descobrir onde eles estavam na hora que o adolescente desapareceu. Há suspeita de que o crime tenha sido cometido por homofobia.

Briga em festa

Alexandre estava em uma festa após o último jogo do Brasil com um grupo de amigos quando houve uma briga com outra turma de rapazes. O adolescente foi à delegacia, acompanhado de um colega, para registrar queixa por agressão. Eles retornaram para a festa, mas, por volta das 2h30, Alexandre teria ido embora sozinho. Ele foi visto pela última vez em um ponto de ônibus no bairro de Mutuá.

Ainda de acordo com o delegado Geraldo Assed Estefan, graças a ligações feitas para o Disque-Denúncia, chegou-se aos três suspeitos a partir de uma informação anônima da placa de um carro que estava no local em que foi encontrado o corpo no dia do crime. Pelo carro, os policiais chegaram ao grupo de amigos.

Alexandre teria sido sequestrado no ponto de ônibus. Pelo laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), Alexandre foi espancado, torturado e morto por estrangulamento duas horas depois. 

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