Delegada `viciada¿ em tecnologia tem auxiliares 'desconectados'

Alguns policiais da equipe especializada em crimes de informática não gostam de computador nem tem perfis em redes sociais

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Raphael Gomide
A delegada Helen Sardenberg é fascinada por tecnologia e não sai sem seu iPad
No gabinete da delegada Helen Sardenberg há um desktop Mac Mini da Apple, dois laptops Vaio, um iPad, um iTouch, três iPods, Smart Phone, quatro pen drives, câmera fotográfica, teclado e mouse sem fio, entre outros “gadgets”. Nada constrangida, ela se assume uma apaixonada pela tecnologia.

“Sempre gostei, mesmo antes de vir para a delegacia. Estudo, leio tudo”, disse, tirando da bolsa quatro revistas sobre informática. Na sala, dois livros a respeito do tema.

Envolto por uma capa dourada, o iPad comprado recentemente tem lugar especial na sua coleção. "Uma vez, me pediram que declarasse o valor do iPad. Perguntei se a pessoa se referia a um iPad ou a este iPad. Ele não entendeu, e expliquei: 'Um iPad como este custa R$ 1.600. Este vale milhões de dólares'", contou, rindo, referindo-se aos dados contidos no tablet.

'Desconectados'

Na delegacia especializada em crimes de informática, porém, nem todos os 28 agentes são “conectados”. “Quando cheguei, peguei policiais que não abriam o email. Hoje, 95% deles têm conhecimento razoável de informática. E tenho uns dez ‘doentes’, no bom sentido, que sabem tudo e estão direcionados para investigações de ponta. Tem de gostar e estar disposto a se atualizar”, explica a delegada, que cobra de todos verificar a caixa de mensagens diariamente.

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Alguns dos equipamentos eletrônicos da delegada que combate crimes de informática
Em uma ronda pelo local, perguntou a alguns policiais se tinham Orkut e Facebook, ferramentas importantes na atividade da delegacia. Um – da área burocrática – disse que não tinha nenhum dos dois; outro que só usava o Orkut, para evitar tanta “exposição”. “Policial desconectado!”, disse, meio a sério e meio em tom de brincadeira. Ela procura designar esse perfil de agente para atividades de apoio, menos investigativas.

“Melhor que o FBI”

Helen Sardenberg reconhece não ter à disposição de sua equipe o equipamento mais moderno, porém entende as dificuldades do governo.

“Se me dessem a tecnologia que o FBI tem, eu seria melhor que o FBI, com certeza. Mas se tiver de escolher, prefiro ter um cara muito bom e internet. Já pegamos muito hacker, usando as mesmas ferramentas que ele”, afirmou.

A delegada reclama que as empresas de software não oferecem vagas em treinamentos para agentes do setor.

“Seria ótimo se quando fizessem um curso, disponibilizassem algumas vagas para policiais. Os cursos são muito caros – de US$ 7.000 a US$ 8.000 mensais –, e a Polícia não tem como pagar. Acredito que isso seja do interesse dessas empresas”. Para ela, também falta uma maior integração entre órgãos policiais de todo o país no combate a crimes do gênero.

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