Delegada Martha Rocha é a nova chefe da Polícia Civil do Rio

Delegada é uma policial veterana e já foi candidata a deputada estadual

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

Agência OGlobo
Durante coletiva na sede da secretaria de Segurança Pública, Beltrame anuncia a delegada Martha Rocha para o cargo da chefia de Polícia Civil

Após uma reunião de cerca de cinco horas com assessores, o secretário de segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, anunciou na noite desta terça-feira (16) o nome da delegada Martha Rocha para o comando da chefia de Polícia Civil do Estado. "Estou honrado em quebrar mais um paradigma na segurança deste estado ao escolher uma mulher para ocupar pela primeira vez a Chefia de Polícia Civil do Rio", disse.

Martha Rocha vai ocupar o cargo deixado pelo delegado Allan Turnovski, que pediu afastamento do cargo após a Operação Guilhotina da Polícia Federal. No anúncio da nova chefe de polícia, Beltrame não esqueceu de citar o nome de Turnovski e o classificou como "um grande policial, um grande chefe de polícia que deixou a sua marca". Mas emendou: "É preciso dar um passo a frente". 

Atualmente, Martha ocupava a chefia da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher (DPAM). Policial há 21 anos, ela teve o seu primeiro contato com a polícia em 1983 quando foi aprovada no concurso para escrivã. Seis anos depois virou uma das primeiras mulheres delegadas da cidade. Martha é solteira e não tem filhos. Ela foi Subchefe da Polícia Civil, em 1999, e corregedora da Polícia.

Em 2006, foi candidata a deputada estadual e vice na chapa de Jorge Bittar (PT) na eleição para Prefeitura do Rio em 2004.

Durante o episódio do sequestro do ônibus 174, no Rio, em 2000, Martha era delegada da 15ª DP (Gávea), que ficou responsável pelo inquérito que apurava a morte de Geisa Gonçalves. Na época, indiciou o então comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), coronel José Penteado, sob a acusação de homicídio culposo.

Martha ressaltou que suas prioridades na chefia serão reforçar o treinamento policial e aumentar a atuação da corregedoria de polícia. Ela comentou que será justamente o reforço na corregedoria o principal desafio nesse momento de crise. "Prefiro ver o desafio por aquele policial que, quando a instituição é atingida, se sente atingido também. O bom policial deseja uma corregedoria forte".

Beltrame diz que tem total confiança nos seus comandados

Indagado sobre uma possível exoneração do delegado Cláudio Ferraz, Beltrame foi enfático. “As pessoas que estão comigo contam com o meu total apoio. Nós não podemos ficar no achismo e fazer juízo de valor. O único tribunal que existe é o Tribunal de Justiça, que tem autoria, materialidade e prova. Temos que acabar com o tribunal de juízo de valor, com essa coisa de 'me disseram'. de distribuição de notícias”, disse.

Agência O Globo
Allan Turnowski deixou o comando da Polícia Civil nesta terça-feira
Ferraz foi titular até há pouco tempo da Draco-IE (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais). Na semana passada, a Draco saiu da subordinação da polícia civil e passou para o comando direto da secretaria de Segurança Pública, ao mesmo tempo em que Ferraz fora nomeado subsecretário da Contra Inteligência.

No último domingo, o até então chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, determinou que agentes da Corregedoria Interna (Coinpol) da instituição fizessem buscas na sede da Draco à procura de indícios de irregularidades. Turnowski afirmou que recebeu uma denúncia anônima em casa sobre pedidos de propinas de policias da especializada a empresários.

No mesmo dia, lacrou a Draco e determinou que uma varredura fosse feita nos inquéritos e computadores. Coincidentemente, a ação ocorreu apenas dois dias após ter sido deflagrada a Operação Guilhotina, da Polícia Federal.

Apesar de ter sido executada por agentes federais, parte das investigações que culminaram com a expedição de 45 mandados de prisão contra policiais militares e civis (incluindo um delegado de confiança de Turnowski) fora realizada pela Draco.

Turnovski negou que a ação tenha sido uma represália às investigações iniciadas pela especializada.

Nesta terça-feira, em nota, ele informou que deixou o cargo após uma "conversa franca e aberta" com o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame. "Tenho certeza que esta é a melhor decisão para o momento", disse. Ele também agradeceu a Beltrame e ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pela oportunidade de comandar a Polícia Civil por quase dois anos.

Já Beltrame, após agradecer sua contribuição à política de segurança do estado, e sem explicitar que se referia ao episódio da varredura da Draco, disse que seu afastamento foi determinado pois "houve um certo exagero em um conjunto de situações que aconteceram desde domingo".

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