Delegada é indiciada em desdobramento da operação Guilhotina

O delegado federal Allan Dias, responsável pela operação, indiciou Márcia Becker por prevaricação

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

A Polícia Federal indiciou nesta sexta-feira (25) a delegada Márcia Becker, ex-titular da 22ª DP (Penha), por prevaricação - crime cometido por funcionário público quando esse retarda ou deixa de fazer a sua função para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Se condenada, Becker pode cumprir pena em regime fechado de 3 meses a 1 ano, além de ter que pagar uma multa estipulada pelo juiz do caso.

O delegado Allan Dias - responsável pela operação Guilhotina que resultou na expedição de 45 mandados de prisão contra policiais -  a indiciou após analisar o seu depoimento e uma escuta telefônica feita durante a execução da operação no último dia 11.

Suposta mentira foi responsável por indiciamento

Na gravação, a titular conversa por celular com o inspetor Christiano Gaspar Fernandes, um dos principais alvos dos agentes federais, enquanto era realizada uma varredura na 22ª DP. O inspetor, que era lotado naquela unidade, pede para a delegada afirmar que ele estava de férias e a titular concorda.

"Ela concordou em falar que ele estava de férias para não apontar a localização dele. Não sei se por afinidade, amizade, enfim, foi algum interesse ou sentimento pessoal e isso caracteriza o crime de prevaricação", afirmou Dias ao iG .

Dias também disse que cogitou em indiciar a delegada pelo crime de favorecimento pessoal, mas não conseguiu provas suficientes. "Não sei se ela teve a intenção de ajudar a fuga do seu subordinado, as provas para isso seriam superficiais. Então, indiciei somente no artigo 319 do código penal, prevaricação".

Como estava sendo monitorado pelas escutas telefônicas, o inspetor foi preso no mesmo dia pelos agentes e a delegada conduzida à sede da Polícia Federal para prestar depoimentos.

O delegado Allan Dias também encerrou nesta sexta-feira o inquérito da operação ao encaminhar ao Ministério Público Estadual o indiciamento de 45 policiais civis e militares por envolvimento com o tráfico de drogas, de armas e de munições; além da atuação dos agentes em milícias, na segurança de pontos de jogos clandestinos e na venda de informações sigilosas.

Também foram encaminhados os inquéritos que indiciam o delegado Allan Turnowski, ex-chefe da Polícia Civil, por crime de violação de sigilo funcional e o que aponta a prevaricação da delegada Márcia Becker.

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