A Justiça Militar do Rio de Janeiro decretou, na noite desta terça-feira, a prisão preventiva dos dois policiais militares que teriam liberado o motorista que atropelou o músico Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, há sete dias.
O sargento Marcelo Leal e o cabo Marcelo Bigon, do 23º BPM (Leblon), são suspeitos de terem cobrado R$ 10 mil de Roberto Bussamra, pai do motorista Rafael Bussamra, para não registrar a ocorrência na delegacia. O acidente aconteceu na terça-feira, 20, quando Rafael andava de skate acompanhado de outros dois amigos no Túnel Acústico, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro.
De acordo com o Ministério Público, os policiais teriam saído da área de patrulhamento, para a qual estavam escalados, para obter vantagem ilícita. Inicialmente, eles alegaram não ter observado o estado do veículo, apesar da nítida destruição, e isso, segundo o MP, levantou dúvidas sobre o procedimento adotado.
O Ministério Público do Rio de Janeiro afirma que a prisão é necessária porque os policiais poderiam pôr em risco a investigação, "principalmente porque os envolvidos recentemente disseram que se sentem intimidados".
“Tais policiais militares, como integrantes da Corporação da Polícia Militar, têm o dever de garantir a ordem pública e a paz social. Porém, ao contrário, se veem envolvidos em atos que denigrem diariamente a imagem da Instituição que representam, fazem uso indevido da autoridade em que foram investidos e direcionam-se para cometer crimes, afirma a promotora Isabella Pena Lucas, acrescentando que o fato abala o nome da instituição e faz crescer o sentimento de impunidade. "As condutas que são imputadas aos acusados causam perplexidade (...) O fato, além de ferir os princípios da hierarquia e disciplina a que estão subordinados, ainda fere qualquer racionalidade e bom senso”, afirma.
Depoimento
De acordo com a polícia, Rafael Bussamra disse que o músico fazia uma manobra de skate com a curva muito aberta e, por isso, não foi possível frear o carro. A afirmação, segundo a polícia, foi feita durante a reconstituição do acidente no fim do Túnel Acústico, que aconteceu na madrugada desta terça-feira e foi baseada nos depoimentos de seis pessoas, entre envolvidos e testemunhas. Um skatista, amigo de Rafael, o representou.
Para concluir o inquérito, a Polícia Civil aguarda os laudos das perícias do carro do atropelador e da reconstituição. Algumas contradições precisam ser esclarecidas, entre elas se Bussamra disputava um racha com os ocupantes de um Honda Civic guiado por um amigo dele.
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