De dentro de presídio, traficante planejou atentado contra Fórum no Rio

Escuta da polícia flagrou bandido Marcelo Paraíba tramando ataque em sede do TJ em Volta Redonda. Ele queria ganhar mídia mundial

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

De dentro da penitenciária Bangu 3, na zona oeste do Rio de Janeiro, o traficante Marcelo Camilo da Silva, o Marcelo Paraíba, planejou um atentado contra o Fórum de Volta Redonda, no Sul Fluminense, de acordo com investigações da 93ª DP (Volta Redonda).

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O plano para o ataque, que não se consumou, foi descoberto há cerca de dois meses por meio de interceptações telefônicas feitas com autorização judicial. Nela, Marcelo Paraíba, que está preso desde 2010, comentou com um comparsa não identificado que verificou falhas na segurança do Fórum durante uma audiência e que seria muito bom realizar um atentado terrorista para ganhar mídia mundial.

De acordo com o delegado Antônio Furtado, Paraíba chegou a comentar com o comparsa pelo telefone que a quadrilha entraria no Fórum com um carro e chegou a citar os nomes de um promotor e um juiz.

O delegado contou ao iG que, ao descobrir o plano, enviou um ofício ao Tribunal de Justiça, que providenciou o reforço da segurança do Fórum.

Furtado afirmou que vem monitorando Paraíba de dentro da cadeia há pelo menos quatro meses. Da prisão, ele transmitia ordens aos comparsas, inclusive homicídios. A quadrilha comandada pelo criminoso controla o tráfico nas localidades de Padre Josimo, Siderlândia e Belmonte, em Volta Redonda. Quatro pessoas (dois homens e duas mulheres) foram presas nesta sexta-feira (16) suspeitas de atuarem no bando de Marcelo Paraíba.

Motorista torturado

Ele contou que a investigação descobriu que, em fevereiro, os traficantes sequestraram e torturaram um motorista que atropelou uma criança de seis anos na Padre Josimo. A vítima, de acordo com o delegado, foi atirada dentro de um valão e permaneceu por lá por alguns dias.

Os agentes fizeram buscas no local mas, de acordo com Antônio Furtado, os próprios traficantes resolveram libertar o motorista incomodados com a movimentação policial na região.

O delegado contou ainda que, por ordem de Paraíba, os traficantes das três localidades costumavam expulsar moradores que não cumprissem as determinações da quadrilha. Uma delas seria conversar com policiais que faziam diligências nas comunidades.

Antônio Furtado afirmou que uma escuta flagrou Marcelo Paraíba dando ordens para a morte de um desafeto.

O delegado acrescentou que, a partir de agora, passará a investigar que investimentos o bando fazia para lavar o dinheiro arrecadado com o tráfico de drogas. Ele já sabe que parte dos dividendos eram depositados em contas correntes.

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