Criticado, Caveirão do Bope é visto como proteção por policiais

Sargento da tropa de elite conta como trocou tiros em favela e foi atingido ao sair do blindado. 'Foi minha vitória sobre a morte'

iG Rio de Janeiro |

Alvo de críticas por entidades de direitos humanos, o Caveirão é defendido pelas polícias do Rio como uma medida de segurança para seus integrantes. Em ambiente de favelas, a blindagem protege os policiais de disparos de fuzis e pistolas de traficantes.

“Os criminosos tentam intimidar, impedir o avanço e danificar o veículo”, explica o subcomandante do Bope, tenente-coronel Renê Alonso. “Os traficantes gostam de fazer o seguinte: atiram de frente, entram no beco e se escondem; depois que o blindado passa, eles dão por trás”, disse o sargento Marco Gripp.

Rony Maltz, iG Rio de Janeiro
Caveirão, do Bope, visto por dentro. Policiais da unidade desembarcam do blindado em áreas de conflito
Entretanto, durante as incursões a áreas de conflito, os policiais não ficam somente dentro do Caveirão. Muitas vezes precisam sair para chegar a determinados locais aonde o blindado não tem acesso. Nesses casos, vestindo apenas coletes à prova de balas como proteção, atuam em patrulhas pelas vielas, frequentemente na escuridão da noite. Aproveitam-se ainda da farda preta – símbolo do Bope – para se camuflar.

Gripp foi baleado em 2007, logo depois de sair do blindado.

“Eram 23h quando avistamos um grupo. Trocamos tiros, e eles entraram no beco. Demos a volta e desembarcamos para ver se tínhamos acertado alguém. Entramos no beco escuro, e eu puxei a ponta [foi à frente]. Quando virei a esquina, estava a dois passos do cara”, contou ao iG.

“Como estava escuro, só vi a boca de fogo da arma dele. Levei dois tiros na barriga. Um passou a um centímetro do rim. Pensei que ia morrer. Continuei trocando tiros. Travou a arma e fui para um abrigo. Um tiro pegou no carregador e ficou no colete. Dois tiros acertaram o meu fuzil – um bateu na câmara de gás, e outra na janela de injeção. Foi minha vitória sobre a morte”, disse o sargento, referindo-se ao lema do Bope – “Vitória sobre a morte”.

Rony Maltz, iG Rio de Janeiro
O blindado do Bope tem proteção até para o parabrisa. Veículo e vidros suportam até tiros de fuzis 7,62mm
Gripp lembra-se de sair andando do local, embora com muita dor. “Entrei na viatura e fui para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha (zona norte do Rio). Entrei andando e fui controlando os sinais vitais, com muita dor. Mas achei que fosse morrer”, afirmou o PM.

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