Corregedoria cerca Rocinha para apurar suposta ajuda de policiais a Nem

Delegado Gílson Emiliano recebeu um Disque-Denúncia que informava que traficante sairia da favela com a ajuda de policiais

iG Rio de Janeiro |

Divulgação/Disque-Denúncia
Traficante Nem planejaria fugir da Rocinha com a ocupação
O corregedor interno da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Gílson Emiliano, informou nesta quarta-feira (9) ter recebido um Disque-Denúncia de que o chefe do tráfico na favela da Rocinha, na zona sul, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, deixaria a comunidade sob proteção de policiais.

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Segundo ele, o informe dizia que Nem sairia escoltado em um carro escuro por seus seguranças e policiais civis e militares dariam cobertura.

Embora não tenha ainda nenhuma informação concreta sobre a denúncia, Emiliano afirmou que montou uma operação na favela com quatro viaturas da Corregedoria e duas da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core).

Na ação, os agentes vão revistar todos os carros que deixarem a favela e que apresentem características de que possam ser da polícia. Caso algum policial esteja nos veículos, será questionado se ele recebeu autorização para agir na Rocinha.

"Recebemos a denúncia e não vamos pagar para ver", disse.

Apesar da Secretaria de Segurança Pública não confirmar oficialmente, a previsão é que a Rocinha seja ocupada no próximo domingo (13) para o início de implantação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).

Desde ontem à noite, o Batalhão de Choque da PM faz um cerco nos principais acessos à Rocinha para impedir a fuga de traficantes.

Investigações feitas pela 15ª DP (Gávea) apontam que o traficante Nem, chefe do tráfico de drogas na Rocinha, tem dito aos moradores da favela que vai resistir contra a ocupação policial. Ele, no entanto, já estaria andando com três seguranças e uma grande quantia de dinheiro para uma provável fuga.

"Ele fala em resistência para não perder a autoridade entre os subordinados, mas já temos informes sobre planos para escapar", disse o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto. Entre os destinos prováveis de Nem estariam o Estado da Paraíba, a cidade de Macaé (no Norte Fluminense) ou o conjunto de favelas da Pedreira, em Costa Barros no subúrbio do Rio.

Por causa da iminente ocupação policial, Nem decretou desde quinta-feira passada um toque de recolher do comércio e moradores, segundo informações da polícia. O traficante também limitou a circulação de motociclistas e teria determinado, inclusive, a antecipação da eleição para as associações de moradores.

Os líderes comunitários negam o toque de recolher. “É impossível, porque aqui as pessoas trabalham e o maior movimento do comércio é à noite", disse o presidente da União Pró-Melhoramentos da Rocinha, Leonardo Rodrigues Lima, o Leo.

Atendimento médico

O delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto confirmou que Nem procurou atendimento médico na manhã da última segunda-feira (7) na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Favela da Rocinha. “Ele foi acompanhado de pessoas fortemente armadas e permaneceu pouco tempo no local”, disse o titular da 15ª DP (Gávea).

Segundo Nogueira Pinto, o traficante teve uma convulsão após misturar álcool com ecstasy. A mistura teria ocorrido durante uma festa realizada na Rocinha entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira. Denúncias recebidas pela polícia indicam que Nem estaria apreensivo no evento por causa da ocupação da PM para a instalação da UPP.

A polícia também recebeu a informação de que Nem teria procurado o atendimento médico porque teria ficado ferido com um disparo acidental. Essa versão, no entanto, foi descartada.

Popularidade em baixa

O Disque-Denúncia recebeu pelo menos 16 telefonemas informando a ida do traficante à UPA e seu possível paradeiro. Para os investigadores, a delação anônima é um termômetro da insatisfação dos moradores da Rocinha com o líder com tráfico.

Uma das razões da queda de popularidade de Nem é a presença de traficantes expulsos pelas UPPs, em especial do morro do São Carlos, na zona norte, que foram abrigados por Nem. Estes bandidos não teriam o compromisso de Nem com a comunidade. Ele chegou a ser cobrado pelos moradores e fez uma reunião com lideranças comunitárias para afirmar que a situação era transitória.

Apontado como um dos líderes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), Nem controla a Rocinha desde novembro de 2005 e possui nove mandados de prisão contra ele.

De acordo com informações da polícia, o comportamento de Nem mudou nos últimos dias. Se antigamente o traficante promovia festas e shows na favela e exibia fotos dele e da mulher em redes sociais na internet, hoje, não fica mais que dez minutos nos eventos e proíbe fotografias e o uso de celular perto dele.

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