Contrabando de carros para máfia do jogo era feito pelo porto de Vitória

Presos na operação Black Ops, Adriano e Pedro Scopel tinham esquema para desembaraçar veículos importados ilegalmente no Espírito Santo

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Carros contrabandeados pelo Porto de Vitória eram vendidos em lojas por até 30% abaixo o valor de mercado
Os carros importados usados contrabandeados pela quadrilha que uniu uma máfia israelense à contravenção entravam no Brasil pelo porto de Vitória (ES), apontam as investigações que levaram o Ministério Público Federal a oferecer denúncia contra 31 pessoas.

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Os responsáveis pela operação eram Pedro e Adriano Scopel, pai e filho sócios da Tag Importação e presos na Operação Black Ops, dia 7. Os dois são descritos como os “donos do Porto de Vitória”, tal a capacidade que têm de desembaraçar os veículos naquele porto. A Justiça Federal negou, segunda-feira (17), a soltura de ambos – por sua importância no esquema, mas também porque já foram presos por contrabando, em 2008.

Os Scopel eram responsáveis por trazer ao País carros esportivos de alto luxo, como Lamborghinis e Ferraris – cujos valores chegavam a até R$ 1,65 milhão por unidade. De acordo com a investigação, os Scopel tinham posição de comando na organização e eram “peças primordiais na internação e distribuição de veículos contrabandeados através do porto de Vitória”.

Os dois seriam “os principais responsáveis por proporcionar a entrada ilegal dos automóveis no Brasil e (por) liberá-los no porto da capital capixaba”, segundo as investigações. Adriano Scopel atuava pessoalmente na liberação dos veículos e, por vezes, chegava a levá-los para casa, de onde eram retirados por intermediários da quadrilha, ligados ao grupo da família de contraventores Escafura. 

A empresa dos Scopel era usada para operar as fraudes. É crime de contrabando no Brasil importar carros usados; apenas veículos novos podem ser trazidos para o País. A fraude estava em forjar documentação para importar automóveis semi-novos como se fossem 0km.

Eles tinham sido presos em abril de 2008 por fraudar documentos de automóveis e motocicletas, pela mesma empresa, Tag Importação. Nessa ocasião, Adriano Scopel teria resistido à prisão e dificultado a entrada da polícia em sua casa.

“Num intervalo inferior a três anos, Adriano e Pedro (Scopel) estiveram envolvidos, em tese, em dois ilícitos idênticos, ou pelo menos muito semelhantes”, afirmou a Justiça, na decisão em que negou a soltura dos irmãos.

A Justiça considerou que a atividade é muito lucrativa e causa graves prejuízos ao Estado e a quem compra os carros contrabandeados de boa-fé, como novos e legítimos, podendo perdê-los. Também por esse motivo, o juiz da 3ª Vara Criminal Federal, afirmou que eventual fiança, ainda que elevada, não afetaria a disponibilidade de recursos do grupo.

Para a Justiça, a prática do mesmo crime em pouco tempo e os altos valores dos bens internados e da tributação “provavelmente iludida”, demonstram que os Scopel devem continuar presos, como garantia da ordem pública e da instrução processual.

O iG não conseguiu contato com o advogado Ricardo Campos, de Adriano e Pedro Scopel.

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