Condutor de bondinho deveria ter levado veículo para oficina, diz secretário

Antes do acidente, bonde colidiu com ônibus e foi usado sem reparos

iG Rio de Janeiro |

O secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, disse na segunda-feira (29) que o condutor do bondinho de Santa Teresa envolvido em um acidente do último sábado (27) deveria ter levado o veículo para a oficina. A orientação teria sido repassada ao motorneiro Nelson da Silva, de 57 anos, porque o bondinho havia colidido com um ônibus menos de uma hora antes do acidente.

Julio Lopes, no entanto, não soube explicar o motivo que levou o condutor a manter o bonde em operação quando já o levava para a garagem. Segundo o secretário, a orientação foi repassada na Estação Carioca. Nelson subiu para Santa Teresa com o bonde vazio, mas, por alguma razão, não chegou à garagem.

Perguntado se a responsabilidade pelo acidente seria do condutor, Júlio Lopes preferiu não fazer conjecturas precipitadas. “Não queremos fazer e não faremos qualquer conclusão precipitada, qualquer ilação”, mas admitiu que a superlotação pode ter contribuído para o acidente. Lembrou que um episódio semelhante ocorreu em 1974, provocado também por superlotação. “É um problema cultural com o qual a gente vem se debatendo há muito tempo”.

Experiência

O chefe do Departamento de Manutenção da Companhia Estadual de Transporte e Logística (Central), que administra os bondes de Santa Teresa, Cláudio Lopes do Nascimento, disse que o condutor Nelson da Silva era muito experiente e ressaltou que os condutores dos bondes têm independência de parar o veículo por qualquer razão e em qualquer local, se algum fato oferecer riscos. Mas revelou que Silva não havia sido autorizado a fazer a viagem de descida.

Com 35 de experiência e personagem querido do tradicional bairro do centro do Rio, o motorneiro foi um dos cinco mortos no acidente ocorrido no último sábado (27) que deixou outros 57 feridos - 13 ainda internados em hospitais da cidade.

O governo fluminense aguarda a perícia policial e vai pedir um laudo técnico ao Conselho Regional de Arquitetura e Engenharia (Crea-RJ) para apurar as causas do acidente. Até lá, o serviço de bondes de Santa Teresa ficará parado.

Investigação

O Ministério Público do Rio de Janeiro vem apurando desde 2004 o suposto estado de abandono e precariedade do sistema de bondes de Santa Teresa, bem tombado a nível estadual. Na época, foi feita uma representação pela Associação dos Moradores de Santa Teresa (Amast) sobre o estado do sistema.

Em 2008, após vistorias que confirmaram diversos problemas na infraestrutura do trecho, foi movida uma ação civil pública em face do Estado do Rio de Janeiro e da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística para exigir que todos os bondes fossem restaurados, sob pena de multa.

Além disso, o MP requisitou a reforma das estações da Carioca e Curvelo; a substituição de 4.600 metros de fio de contato; a recuperação dos 8 quilômetros de via permanente; a recuperação da oficina de bondes de Santa Teresa; a substituição do gradil sobre os Arcos da Lapa; e a construção do abrigo de bondes.

Desde então, a ação tramita em diferentes instâncias judiciais. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público, o Tribunal de Justiça já se manifestou favorável à ação, mas como o governo vem recorrendo constantemente das decisões, ainda não foi dada a sentença final.

*com informações das agências Brasil e Estado

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