Comando da PM diz que a polícia errou ao atirar em ônibus

Coronel Mário Sérgio afirma, no entanto, que a situação resultou em apenas cinco feridos

Beatriz Merched, iG Rio de Janeiro |

O comandante geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, admitiu a quebra de protocolo dos policiais que atiraram contra o ônibus da viação Jurema com reféns, na noite de terça-feira (9), no centro do Rio.

“A rigor aqueles tiros não deveriam ter acontecido, mas foi esse ato que impediu que o ônibus seguisse em frente já que as duas tentativas de cerco não tiveram sucesso”, disse o coronel, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (10).

Dois cercos foram furados até que policiais militares do 4° BPM (São Cristóvão) chegassem ao local. Foram 15 minutos de negociação até a chegada de soldados do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) que conseguiram render Renato da Costa Júnior e Bruno Silva de Lima e apreender uma granada e cinco pistolas.

“Estou há 30 anos na polícia e, desde o primeiro dia, nos é ensinado que atirar somente em caso de legítima defesa. Mas temos que aprender a lidar com o imponderável. Poderia ter sido uma desgraça ainda maior”, completou o coronel Mário Sérgio.

Segundo a Polícia Militar, a ação durou das 20h20 até às 21h35. Para o coronel Íbis, relações-públicas da corporação, não é possível usar a palavra sucesso para definir a operação dos policiais. “Eles erraram em utilizar arma de fogo para parar o veículo”, avaliou.

Investigação

Dois policiais militares confirmaram em depoimento na 6ª DP (Cidade Nova) que efetuaram disparos de pistola ontem à noite durante o sequestro do ônibus na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio. Cinco pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave.

Segundo a delegada-adjunta da 6ª DP, Sânia Cardoso, a perícia vai apontar se também houve disparos de dentro para fora do veículo. As análises realizadas na manhã desta quarta-feira (10) indicaram que a maior parte dos tiros ocorreu de fora para dentro do coletivo.

As testemunhas ouvidas informaram não ter havido disparos no interior do ônibus. Os resultados da perícia deverão ser divulgados ainda hoje. A perícia também vai avaliar se há algum projétil de arma que não seja da PM.

*com informações da Agência Estado

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