Com medo, morador do Alemão desiste de trabalho e passeio

Construtor foi trabalhar neste sábado, mas tiros o convenceram a voltar para casa, em meio ao conflito entre traficantes e polícia

Fábio Grellet, especial para o iG |

O construtor N.A.S., 54 anos, que mora no Complexo do Alemão,zona norte do Rio, foi às 8h deste sábado (27) até a obra que está erguendo, a poucas quadras de casa. Pretendia trabalhar até as 17h, mas o barulho dos tiros, cada vez mais próximos, o convenceram a abandonar o serviço às 11h.

“Além do susto com os tiros, a polícia também passou por aqui recomendando que a gente ficasse em casa, protegido. Aí resolvi parar [de trabalhar]”, contou.

N. foi pra casa, onde mora com a mulher, os filhos e uma nora, e desistiu de sair de casa durante toda a tarde. “De casa, continuei ouvindo os tiros. Mas é melhor ficar por aqui, protegido, e esperar a situação melhorar.”

Aos sábados, o construtor costuma ir ao mercado e visitar amigos e parentes. Neste final de semana, porém, não fez nada disso. “Reuni a família inteira em casa, e ficamos o dia todo trancados aqui.”

“Moro no Alemão há mais de 25 anos e gosto muito daqui, mas já tive que me habituar com os confrontos e tiros. É uma pena. Hoje muitas ruas são interditadas [pelos bandidos], e quem tenta chegar à minha casa tem dificuldade. Para entregar algum móvel, por exemplo, tem que parar longe e carregar a pé. Isso complica nossa rotina”, afirma.

“Já pensei muito em ir embora, me mudar, mas meus filhos estudam aqui perto, e a gente já tem uma rotina. Mudá-la não é fácil, por isso sempre acabamos desistindo [de mudar]. Agora, apesar dessa situação, espero que o tráfico seja mesmo expulso e a gente consiga viver melhor por aqui”, diz o construtor.

    Leia tudo sobre: operação policialataques no rioviolênciapm

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG