Chuvas: sistema de alerta brasileiro terá ajuda internacional

Ministério da Ciência e Tecnologia informa que o País receberá informações de satélites de outros países sem custo para o governo

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

O Sistema Nacional de Alerta e Prevenção a desastres naturais prometido pelo governo federal contará com ajuda de satélites internacionais, informou nesta quinta-feira (20) o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). As imagens captadas por equipamentos como os da Agência Espacial Europeia e da Agencia Espacial Canadense vão identificar as áreas de risco no Brasil e ajudar a formular as ações necessárias para evitar mortes por deslizamentos de terra. 

As imagens de satélites são consideradas fundamentais para ajudar o governo a se antecipar às mudanças do tempo. O anúncio do acordo foi feito pelo chefe da Divisão de Geração de Imagens do Inpe, Ivan Márcio Barbosa, que explicou, em nota, que o serviço será prestado pelo International Charter and Major Disasters ( www.disasterscharter.org ). O grupo distribuirá as imagens captadas para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT). “Contamos com dados fornecidos sem custo pelas agências internacionais que também fazem parte do programa”, esclarece ele. 

O International Charter é formado pela Agência Espacial Europeia, Agência Espacial Francesa, Agência Espacial Canadense, Organização de Investigação Espacial da India, Agência Espacial Argentina, Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, Serviço Geológico dos Estados Unidos e Administração Nacional Espacial da China. O grupo foi formado em 2000 com o objetivo de fornecer gratuitamente dados espaciais a países afetados por catástrofes naturais. 

O MCT lembra que o programa ajudou durante as enchentes que atingiram Bolívia e Peru, o terremoto que abalou recentemente o Chile, o ciclone nas ilhas do Pacífico, e a erupção vulcânica na Islândia. O Brasil tornou-se signatário do acordo de cooperação em 2010 e poderá ajudar com o envio de informações a partir de 2012, quando irá lançar o satélite Cber3.

No Rio, sistema começa nesta sexta-feira

O prefeito Eduardo Paes prometeu dar início nesta sexta-feira (21) ao primeiro sistema de alerta na capital do Rio de Janeiro. Uma sirene será instalada no Morro do Borel, na Tijuca (zona norte), e será acionada manualmente por técnicos da Defesa Civil e do sistema de meteorologia do município, o Alerta Rio, caso haja risco para moradores.

O prefeito do Rio prometeu instalar 60 sirenes para atender às 117 comunidades que reúnem 71 mil moradores em áreas de risco na cidade. No entanto, ainda não há data para o término do trabalho. Além das sirenes, pluviômetros também serão instalados para medir o nível da água em cada local.

Além de cidades como as da Região Metropolitana do Rio, cidades como Vale do Itajaí, Campos do Jordão e algumas áreas da Região Metropolitana de São Paulo já contam com o mapeamento de suas áreas de risco e iniciam testes para as ações de alerta e prevenção de deslizamentos.

Mais de 5 milhões em risco no Brasil

Pelas estimativas do governo federal, existem 500 áreas de risco no País com 5 milhões de pessoas morando nesses locais. O sistema nacional de alerta tem o objetivo de mapear e monitorar essas regiões, a fim de retirar esses moradores de casa com até duas horas de antecedência a um possível desastre.

O sistema será coordenado pelo próximo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do MCT, Carlos Nobre, que dirigiu o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) por 12 anos.

O governo estima gastos de R$ 460 milhões com a compra de 15 radares meteorológicos que irão se juntar aos 20 já existentes no País, além da aquisição cerca de 700 pluviômetros. Os equipamentos vão calcular o risco de enchentes e deslizamentos. “Assim saberemos o volume e o local em que vai chover”, disse o ministro Aloizio Mercadante, ao apresentar o programa na segunda-feira (17). A operação dos equipamentos será feita pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). A previsão é de que os equipamentos estejam instalados nas áreas de risco em todo País em até quatro anos.

O governo federal já conta com um “supercomputador”, monitorado pelo Inpe, que cruzará dos dados do mapeamento das áreas de risco com as informações enviadas via satélite e por radares. O XT6, da Cray, custou cerca de R$ 50 milhões e é considerado o 29º computador mais rápido do mundo. “O computador pode esquadrinhar o Brasil a cada 5 quilômetros quadrados e aumentar a nossa capacidade de informações”, disse Mercadante na ocasião.

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