Chuva provoca ao menos cinco mortes em Teresópolis

Região serrana do Rio de Janeiro volta a ser atingida por forte temporal que causou deslizamentos e alagamentos

iG São Paulo e Rio de Janeiro |

A forte chuva que atingiu Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, já provocou cinco mortes, segundo informou o Corpo de Bombeiros da cidade. A precipitação que começou tarde da sexta-feira e se estendeu pela madrugada provocou deslizamentos, alagamentos de ruas e avenidas e chegou a interditar a rodovia Rio-Teresópolis. Subiu para 994 o número de pessoas desabrigadas em decorrência das chuvas que caíram na região, segundo informou o último boletim da Defesa Civil.

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"A tragédia poderia ter sido maior, mas ainda bem que instalamos alarmes sonoros em comunidades e regiões de risco no ano passado e podemos avisar e retirar muita gente de suas antes da chuva aumentar", disse o prefeito da cidade de Teresópolis, Arlei de Oliveira Rosa.

No ano passado, a região foi palco da maior tragédia natural do País em número de mortos.

Veja: fotos dos alagamentos e das consequências da enxurrada

Márcia Foletto/Agência O Globo
Comerciantes retiram lama de lojas no centro da cidade


A última vítima da tragédia encontrada é Rosângela Moraes de Oliveira, 26 anos, que estava soterrada sob os escombros de uma casa no bairro de Santa Cecília. O filho de cinco anos da mulher foi resgatado com vida, ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros.

As demais vítimas são Keila Pires, 26, e Maria Helena, 54, ambas achadas no bairro do Bom Retiro, a adolescente Joyce Rosa de Araújo, 16 anos, atingida por um muro que ruiu no bairro de Quinta Lebrão, e Jaílson da Cunha da Silva, 26, que morreu em um deslizamento em Pimentel.

Na cidade ainda traumatizada pelo temporal de grandes proporções ocorrido no ano passado, a prefeitura informa que "dessa vez, a chuva afetou outros bairros e regiões que não foram as mesmas".

Em apenas quatro horas, a precipitação foi de 160 milímetros (mm), volume esperado para todo o mês de abril. Ao todo, ocorreram oito deslizamentos de terra.

Sábado sem chuva
Neste sábado, a equipe local dos bombeiros trabalha na busca e socorro das vítimas. Após muitas vias terem ficado alagadas, a cidade amanheceu tomada por barro, lixo e e estragos, mas não chove desde as 3h. Autoridades se mantêm em alerta diante de possíveis deslizamentos pela quantidade de água represada na região montanhosa.

Em Nova Friburgo, também na região serrana, a chuva causou alguns problemas, mas sem deixar vítimas. A cidade está em estado de alerta. 

O secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, e o presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), Ícaro Moreno Júnior, fizeram um sobrevoo de helicóptero para avaliar os danos. Segundo Ícaro, os bairros de Pimentel, Rosário, Perpétua e Vale da Revolta foram os mais atingidos.

Nas redes sociais, internautas reclamam da omissão do Estado em relação a medidas de prevenção para a região. "Teresópolis precisa de intervenção federal e estadual. Vamos esperar a cidade acabar?", protestou Marcelo Garcia.

"Hoje é dia de lavar a cidade, dar uma faxina geral. Teresópolis vai se reconstruir - de novo!", disse Orlando Castor.

O governador Sérgio Cabral anunciou medidas emergenciais de atendimento aos desabrigados. Em nota, disse lamentar profundamente as mortes e determinou o reforço de homens e máquinas para ajudar na limpeza e remoção de destroços em Teresópolis. A Secretaria Estadual de Defesa Civil ofereceu equipamentos e técnicos para auxiliar na avaliação dos riscos na região. Além disso, a Secretaria de Ambiente e Obras também disponibilizaram equipamentos. A Prefeitura do Rio enviou uma equipe de emergência para ajudar na operação de rescaldo e limpeza, que deve durar quatro dias. O Corpo de Bombeiros mandou 30 homens que atuam na capital para reforçar a equipe em Teresópolis. Ao todo, 150 militares trabalham na operação de limpeza e ajuda às vítimas.

Para o dia de hoje são esperadas apenas pancadas de chuva durante a tarde e a noite, segundo a previsão.

Rio-Teresópolis

Após ser interditada por quase 3 horas, a rodovia Rio-Teresópolis já foi liberada. O tráfego de veículos nos dois sentidos da rodovia é normal, segundo a concessionária CRT. Clique aqui e veja as condições da rodovia Rio-Teresópolis.

Doações

A prefeitura de Teresópolis solicita a doação de água para atender as pessoas desalojadas, que podem ser entregues no Ginásio Pedrão (Rua Tenente Luiz Meirelles, 211 – Várzea). Colchonetes e cestas básicas estão sendo providenciadas pelo município, em parceria com o governo do Estado. Atualmente existem cinco abrigos provisórios em funcionamento, alojando 414 pessoas: Escola Municipal Marilia Porto (Rua Cecília Meirelles, 517, bairro de Santa Cecília), Ciep Sebastião Mello (Rua Acre, 432 - Rosário), Centro Educacional Rose Dalmaso – Cedal (Rua Palmira Maria de Oliveira, 131, bairro de São Pedro), Creche São Pedro (Rua Luis Noguê Júnior, 771 – São Pedro) e Associação de Moradores do Vale da Revolta.

A secretaria de Saúde, que está no local, também forneceu kits aos desabrigados com medicamentos básicos e material curativo para a assistência aos feridos.


Tragédia em 2011
Em janeiro de 2011, a tragédia climática que atingiu a região serrana do País foi marcada por série de deslizamentos de terra e enchentes, que mataram mais de 900 pessoas e deixaram quase 400 desaparecidas.

Na época, as cidades mais atingidas foram Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro, São José do Vale do Rio Preto, Bom Jardim e Areal.


*Com informações de Agência Estado e Reuters


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