Chefe do tráfico na Rocinha é condenado a oito anos e quatro meses de prisão

Sentença menciona que Nem mandava torturar e matar inimigos, enviava drogas para presídios e controlava serviços na Rocinha

iG Rio de Janeiro |

Divulgação/Disque-Denúncia
Traficante Nem chegou a ser levado para uma delegacia em 2004 mas não ficou preso
Apontado como o chefe do tráfico na favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi condenado na última sexta-feira (29) pela 33ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do Rio a oito anos e quatro meses de prisão pelo crime de associação para o tráfico de drogas. O criminoso está foragido.

Nem é o bandido mais procurado pela polícia do Rio de Janeiro atualmente. O Disque-Denúncia está pagando uma recompensa de R$ 5 mil para quem prestar informações que ajudem em sua captura.

O processo que resultou na condenação de Nem se baseou em um inquérito aberto pela Polícia Civil em 2006 e que resultou em denúncia contra 14 suspeitos de integrar o tráfico na Rocinha.

Na sentença, a Justiça menciona trechos de interceptações telefônicas que mostram a ousadia e o perfil violento do bandido. E revela ainda que o criminoso chegou a ser levado para a delegacia da Gávea (15ª DP), em 2004, mas não ficou preso.

Em uma das conversas citadas nos autos, Nem conversa com comparsa conhecido como Aritana, já morto, em que ele fala sobre a entrega de drogas em um presídio do Rio de Janeiro.

"Vou mandar uma peça para aí. Vê se manda uma pequena pra mandar entra pra lá (presídio)".

Tortura

Em um outro trecho citado nos autos, Nem conversa com um aliado conhecido pelo apelido de Peteleco e eles falam sobre a tortura e o assassinato de um traficante rival das favelas do Jacarezinho e da Providência. O crime ocorreu em fevereiro de 2006, no morro do Vidigal, vizinho à Rocinha.

Nem, segundo a sentença, teria sido responsável também pela morte de um homem que era proprietário de um depósito de gás no interior da comunidade.

Na sentença, a Justiça informa que, quando ascendeu a chefe,  Nem dividia o controle da favela com o traficante João Rafael da Silva, o Joca. No entanto, o aliado deixou a favela, foi preso no Nordeste em 2007 e Nem passou a exercer o domínio absoluto da Rocinha.

Os autos indicam ainda que Nem detém o controle total de serviços prestados na comunidade, como as vans, moto-táxis, TV a cabo clandestina (gatonet) e distribuição de gás.

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