Chefe da Polícia Civil soube de irregularidades por carta anônima

Suposto esquema de corrupção em delegacia envolveria fraude em licitação feita em município na Região dos Lagos do Estado do Rio

Daniel Gonçalves, especial para o iG |

Agência O Globo
Allan Turnowski (à esq.) entrega documentos ao corregedor da Polícia Civil, Gilson Emiliano (à dir.)

O chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski, disse nesta segunda-feira (14) que tomou conhecimento do suposto esquema de corrupção na Delegacia de Repressão às Atividades Criminosas Organizadas (Draco) através de uma carta anônima. “Recebi no domingo (13) as denúncias através de uma carta deixada na portaria do meu prédio”, informou.

À tarde, Turnowski entregou à Corregedoria da Polícia Civil alguns documentos que apontam as irregularidades na Draco. O material entregue pode comprometer o titular da delegacia especializada, Claudio Ferraz, e um inspetor.

Entre as irregularidades encontradas , está um procedimento aberto em agosto de 2008 para investigar fraudes de licitação no município de Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro. Assinado por Ferraz, o procedimento foi arquivado, dois dias após ser aberto, sob a justificativa de falta de provas.

Em nota, a Procuradoria Geral de Rio das Ostras negou o envolvimento do município no suposto esquema de corrupção. O órgão disse estranhar o fato de a cidade de Rio das Ostras ter sido citada pelo delegado Allan Turnovski já que "sempre respondeu oficialmente todas as notificações feitas pela Draco".

Outra suspeita encontrada na delegacia especializada aponta, por meio de escutas telefônicas, que policiais lá lotados receberam propina da máfia de produtos piratas de São Paulo. A interceptação telefônica foi feita pela Polícia Federal.

Há ainda um procedimento contra um ex-prefeito do município de Japeri, na Baixada Fluminense, parado há mais de um ano que dá conta de tráfico de drogas, corrupção e formação de quadrilha. “As mesmas pessoas estão envolvidas em todos esses procedimentos irregulares”, disse Turnowski.

Rixa

A varredura na Draco ocorreu dois dias após ter sido deflagrada a Operação Guilhotina , da Polícia Federal. A ação contou com o apoio da delegacia especializada e culminou na prisão de policiais militares e civis, incluindo um delegado de confiança de Turnowski. O chefe da Polícia Civil negou, no entanto, que a ação desta segunda-feira (14) seja uma represália.

Agência O Globo
Claudio Ferraz deixa o prédio da Draco
Segundo Turnowski, ele não possui nenhum problema de relacionamento com Ferraz. “Em vários momentos, eu demonstrei o meu apoio ao delegado Claudio Ferraz. Em todas as apreensões e operações da Draco, vim publicamente elogiá-lo e o trabalho que estava sendo feito”, contou.

Mesmo admitindo que não possui nenhuma rixa pessoal, Turnowski disse que se a Draco estivesse subordinada à Polícia Civil, Ferraz já estaria fora do cargo. Hoje, a delegacia especializada fica ligada diretamente à Secretaria Estadual de Segurança Pública. “Se a Draco não fosse ligada à secretaria de segurança, o delegado seria exonerado”, garantiu.

Ferraz, policial de confiança da cúpula da segurança pública fluminense, era cotado para ser o próximo chefe da Polícia Civil, substituindo Turrnowski. Na semana passada, Ferraz foi nomeado para o cargo de subsecretário da Contra Inteligência e a Draco saiu da subordinação da Polícia Civil para ficar ligada diretamente à Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Constrangimento

Pela manhã, Ferraz esteve na sede da Draco e se disse surpreso com a ação. "Tomei conhecimento dessas buscas através da imprensa. Não sei o que está acontecendo, preciso esperar os desdobramentos para emitir uma opinião". E emendou sobre a varredura: "É um constrangimento" .

Em relação à declaração de Turnowski sobre sua exoneração, Ferraz foi enfático. "É a opinião dele. Se existe alguma rivalidade eu desconheço", afirmou.

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