Chefe da Polícia Civil do Rio deixa o cargo

Substituto deve ser anunciado em breve, informa Secretaria de Estado de Segurança do Rio

iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Allan Turnowski deixou o comando da Polícia Civil nesta terça-feira (15)
A Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro anunciou nesta terça-feira (15) que o delegado Allan Turnowski deixou a chefia da Polícia Civil fluminense. A pasta não divulgou quem irá substituí-lo no cargo, informando apenas que um nome deve ser divulgado o mais rápido possível.

Em nota divulgada à imprensa, Turnowski informou que deixou o cargo após uma "conversa franca e aberta" com o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame. "Tenho certeza que esta é a melhor decisão para o momento", afirmou.

No comunicado, Turnowski agradeceu a Beltrame e ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pela oportunidade de comandar a Polícia Civil por quase dois anos. "Posso garantir que foi um período de aprendizado, de conquistas, de amadurecimento e também de realizações profissionais. Deixo para meu sucessor uma série de iniciativas estruturantes que podem elevar a Polícia Civil a outro patamar", relatou.

Guilhotina

O pedido de Turnowski acontece três dias após ter sido deflagrada a Operação Guilhotina , da Polícia Federal. A ação desarticulou um grupo criminoso formado por policiais civis e militares acusados de envolvimento com tráfico de drogas, de armas e de munições, além de atuação em milícias, na segurança de pontos de jogos clandestinos e na venda de informações sigilosas.

Entre os presos está Carlos de Oliveira, homem de confiança de Turnowski, que comandava a Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae). O ex-chefe da Polícia Civil chegou a ser interrogado por policiais federais, na condição de testemunha.

Na ocasião, Beltrame enfatizou que Turnowski contava com sua total confiança. "Não vou fazer julgamento precipitado. Vou escutar os esclarecimentos dele e, se for o caso, tomaremos as medidas cabíveis ao seu tempo", afirmou.

Disputa

Na noite de domingo (13), Turnowski ordenou que fosse iniciada uma operação na Delegacia de Repressão às Atividades Criminosas Organizadas (Draco) , comandada por Claudio Ferraz, seu desafeto. A delegacia especializada forneceu subsídios para Polícia Federal na Operação Guilhotina.

Agência O Globo
Claudio Ferraz é cotado para assumir o posto deixado por Allan Turnowski
Ferraz, policial de confiança da cúpula da segurança pública fluminense, é cotado para ser o próximo chefe da Polícia Civil, substituindo Turrnowski. Na semana passada, o delegado foi nomeado para o cargo de subsecretário da Contra Inteligência e a Draco saiu da subordinação da Polícia Civil para ficar ligada diretamente à Secretaria de Estado de Segurança do Rio.

Turnowski negou, no entanto, que a ação na Draco tenha sido uma represália à ajuda da delegacia especializada à Operação Guilhotina. Ele disse não possuir nenhum problema de relacionamento com Ferraz. “Em vários momentos, eu demonstrei o meu apoio ao delegado Claudio Ferraz. Em todas as apreensões e operações da Draco, vim publicamente elogiá-lo e o trabalho que estava sendo feito”, contou.

Segundo o ex-chefe da Polícia Civil, a ação foi iniciada após ele ter recebido uma carta anônima denunciando um esquema de corrupção na Draco. A informação dava conta, entre outras coisas, do arquivamento de investigações sobre possíveis fraudes em licitações abertas pela Prefeitura de Rio das Ostras, município da Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

Constrangimento

Durante a varredura na Draco, Ferraz esteve na sede da delegacia especializada e se disse surpreso com a ação. "Tomei conhecimento dessas buscas através da imprensa. Não sei o que está acontecendo, preciso esperar os desdobramentos para emitir uma opinião". E emendou sobre a operação: "É um constrangimento" .

Em relação à rivalidade ou disputa pela chefia da Polícia Civil com Turnowski, Ferraz desconversou. "Se há alguma rivalidade, eu desconheço", afirmou.

Cabral afirma que Beltrame tem autonomia para atuar

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou nesta terça-feira (15) que o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, tem autonomia para escolher o próximo chefe de polícia civil. "Beltrame tem 100% de autonomia e o meu aval. Durante os quatro anos do meu primeiro mandanto, ele  teve liberdade para atuar, desenvolver a nossa política de segurança pública e tem feito isso com muita competência", disse, durante um evento na cidade de São Paulo.

Cabral também elogiou a contribuição de Allan Turnowski à política de segurança do Rio e lembrou que Beltrame fez o mesmo em nota oficial divulgada com a saída do delegado do cargo.

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