“Caveiras” que pararam em greve são banidos do Bope até o fim da carreira

Após se recusar a sair do quartel, toda a Companhia Bravo é punida com transferência, perde a farda preta e gratificação de R$ 1.500

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Bope faz operação no Complexo São Carlos, nesta segunda-feira
A PM afastou do Bope , até o fim da carreira, os 51 integrantes de sua Companhia Bravo, por terem se rebelado e se recusado a cumprir ordem de ir ao Quartel-General, aderindo à paralisação dos policiais militares, em 10 de fevereiro. A Bravo é uma das quatro companhias operacionais da unidade de elite da corporação, que atualmente tem cerca de 400 homens.

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Foi considerada grave quebra de confiança, porque o policial do Bope não pode ser recusar a cumprir missão. Daí o castigo de nunca mais poder ser da unidade de Operações Especiais, considerado o pior possivel, aos olhos dos "caveiras".

Todos os policiais transferidos do Bope vão perder a gratificação da unidade, de R$ 1.500 e – o pior, na opinião dos “caveiras” – ficarão fora do Bope até o fim da carreira, como exemplo para a tropa. As transferências aconteceram em três diferentes boletins internos. Foram afastados quatro subtenentes, 18 sargentos, 17 cabos e 12 soldados.

O afastamento eterno da unidade de operações especiais - uma espécie de "irmandade", com seus códigos próprios e camaradagem - é visto como um exílio dentro da corporação.

O Globo
Agentes do Bope prendem suspeito de sequestrar ônibus
O Bope e o Choque são as tropas de reserva do Comando-Geral da PM e, portanto, consideradas unidades de confiança da chefia. No caso da greve, eram as duas unidades designadas pelo plano de contingência da corporação para compensar eventual paralisação coletiva .

De fato, Bope e Choque fizeram o patrulhamento nas áreas problemáticas em muitos bairros da capital e em cidades distantes no interior do Estado (Campos, Itaperuna e Volta Redonda) no dia seguinte - o que foi fundamental para enfraquecer e debelar a paralisação. Por isso, a perda de controle desses dois batalhões estratégicos poderia representar o êxito do movimento grevista.

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Sanção dura, "exílio" tem intenção de servir como exemplo à tropa

A recusa à ordem de se apresentar ao QG, foi considerada pela PM um ato de insubordinação, daí a punição dura.

J. Egberto
Caveirão do Bope, durante operação na Rocinha
Como o Bope é referência para os policiais, qualquer ação de seus membros tem grande repercussão sobre os colegas. A intenção é que a sanção sirva como exemplo para todos os policiais e para os oficiais jovens, a fim de desencorajar novas ações grevistas.

A determinação foi passada à equipe de plantão pelo comando da unidade, na noite em que PMs e bombeiros estavam reunidos na Cinelândia para declarar greve, que se iniciaria à meia-noite. A companhia se recusou a sair do quartel, em Laranjeiras.

De acordo com os policiais, eles não concordavam em reprimir os colegas de farda, pleiteando aumento salarial.

Eles justificam que queriam evitar afrontar os outros PMs e parecer estar contra eles e provocar, talvez, confusão.

Duas horas de discussões em tom duro, gritos e ameaças de punição

Marcio Marques
Agentes do Bope em ação
Foram necessárias duas horas de discussões intensas no batalhão entre os oficiais do comando da unidade e a companhia Bravo, em tom duro, com gritos de lado a lado e ameaças de punição até que a equipe aceitasse sair e ir até o QG.

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Como punição, quase a metade desses PMs foi remanejada para lugares distantes da capital, onde atuavam, indo para Campos dos Goytacazes (a 284km do Rio) e Macaé (a 188km do Rio).

Perder uma equipe experiente, cortando na própria carne, está sendo traumático para o Bope.

Os PMs afastados tinham anos de Bope e estiveram envolvidos em praticamente todas as grandes ações da unidade de elite.

A ideia da PM é que “ninguém é insubstituível”.

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Mais de 170 PMs de Volta Redonda, que se aquartelaram, são transferidos para a Baixada

O comando da corporação também transferiu mais de 170 policiais de Volta Redonda que se aquartelaram durante a paralisação, recusando-se a sair da unidade.

Além do Bope, foi o mais problemático caso durante a crise, resolvida com o endurecimento do regulamento militar, ameaças de expulsão sumária e de prisão.

Policiais do Bope e do Choque precisaram ser enviados a Volta Redonda para assumir os postos de policiamento ostensivo na cidade.

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