Caso Rafael: PMs alteraram boletim de ocorrência, informa corporação

Policiais irão responder por falsidade ideológica, corrupção passiva e transgressão disciplinar. Eles podem ser expulsos e pegar até 15 anos de prisão

iG Rio de Janeiro |

Os dois policiais militares suspeitos de extorquir Rafael Bussamra, que atropelou e matou Rafael Mascarenhas – filho da atriz Cissa Guimarães –, praticaram corrupção passiva, transgressão disciplinar e também irão responder por falsidade ideológica por terem alterado um boletim de ocorrência. Essa foi a conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) feito pela corporação, divulgado nesta terça-feira (17).

Segundo o corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, o sargento Marcelo Leal e o cabo Marcelo Bigon adulteraram no boletim de ocorrência feito no 23º BPM (Leblon) a hora e o local do atropelamento de Rafael Mascarenhas. Os dois vão ser submetidos ao Conselho de Disciplina da PM e poderão ser expulsos da corporação. Os policiais já estão detidos no Batalhão Prisional, em Benfica, zona norte do Rio, e podem pegar de dois a 15 anos de reclusão pelos crimes cometidos.

O IPM também concluiu que o pai de Rafael Bussmra, Roberto Bussamra praticou corrupção ativa ao ter oferecido propina para os agentes liberarem o carro usado no atropelamento e pago mil reais aos agentes. De acordo com a defesa dos Bussamra, pai e filho foram coagidos pelos policiais a pagar propina de R$ 10 mil para desfazer a cena do acidente e liberar o atropelador. O empresário teria pago apenas uma parte, porque logo depois soube, por meio de um telefonema, que a vítima era filho da atriz Cissa Guimarães.

Cópias do IPM foram entregues ao Ministério Público Militar e à 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público Estadual para avaliação da Justiça comum.

Relembre o caso

Rafael Mascarenhas andava de skate no Túnel Acústico, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro - que estava interditado para carros -, quando foi atingido, no dia 20 de julho. Ele chegou a ser levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos. Uma testemunha disse à polícia que dois carros trafegavam em alta velocidade pelo túnel antes do acidente.

A perícia feita pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), da Polícia Civil, no carro de Rafael Bussamra apontou que o automóvel estava a uma velocidade de aproximadamente 100 km/h quando atropelou Rafael Mascarenhas. O laudo foi entregue à delegada da 15ª DP (Gávea), Bárbara Lomba, responsável pelo caso, e será anexado ao inquérito.

Segundo a perícia do ICCE, as avarias encontradas no carro de Rafael Bussamra indicam que o veículo estava acima de 60 km/h. Para Bárbara Lomba, o resultado apresentado no laudo está de acordo com as investigações realizadas pela Polícia Civil. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio), a velocidade máxima permitida no Túnel Acústico, local do acidente, é de 70 km/h.

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