Caso Juan: Policiais teriam ido duas vezes à favela no dia do crime

Um dos PMs suspeitos irá a júri popular no próximo dia 20 acusado de homicídio qualificado que teria sido cometido em 2008

iG Rio de Janeiro |

Raphael Gomide
Relatório da escola de Juan, com a foto do menino
Na noite de 20 de junho, quando o menino Juan  Moraes foi morto durante um tiroteio na favela Danon, em Nova Iguaçu, PMs envolvidos na ação teriam entrado na favela duas vezes. O sistema de localização via satélite (GPS) das viaturas dos policiais mostra que um dos veículos saiu da comunidade em direção a uma rua atrás do batalhão de Mesquita (20º BPM), onde eles estão lotados, e depois retornou à favela para, em seguida, voltar mais uma vez ao batalhão. Os dados foram mostrados na noite desde sábado (9), no "Jornal Nacional", da TV Globo.

Na sexta-feira (8), uma testemunha relatou ter visto o momento em que Juan foi baleado e acusou os policiais pelos disparos . A moradora contou ter visto o corpo do menino ser escondido pelos PMs embaixo de um sofá abandonado em uma rua da favela, e afirmou que logo depois os policiais retornaram para retirar o corpo do local.

O crime foi reconstituído na sexta-feira com a participação dos quatro PMs suspeitos. Eles foram ouvidos separadamente. Segundo a polícia, para que não combinassem, versões.

No próximo dia 20, o cabo Edilberto Barros do Nascimento será submetido a julgamento pelo 4º Tribunal do Júri em Nova Iguaçu, onde responde por homicídio qualificado , como o iG mostrou no dia 1º.  Edilberto e outros três PMs, todos lotados no 20º BPM são acusados de matar o ex-presidiário Júlio César Andrade Roberto, 23 anos, no dia 7 de julho de 2008.

O cabo PM chegou a ficar preso entre julho e setembro de 2008, mas acabou solto. O Conselho Disciplinar da corporação julgou que ele não era culpado e o manteve nos quadros da Polícia Militar. Os outros três PMs que também respondem pelo homicídio de 2008 e, assim como Edilberto, estão em liberdade.

Após Juan ser dado como desaparecido, Edilberto e os outros três policiais que estavam na favela Danon - e são investigados pelo sumiço do garoto - foram afastados do patrulhamento das ruas e realizam serviços internos em DPOs (Destacamentos de Policiamento Ostensivo) na Baixada Fluminense.

Quando o corpo de Juan foi encontrado e identificado, os quatro foram afastados totalmente de suas funções. Eles têm de comparecer diariamente à Diretoria Geral de Pessoal (DGP).

O comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte afirmou que os policiais podem ser expulsos da corporação caso seja provado que tiveram participação na morte e no desaparecimento da criança.

"Se ficar comprovada a participação deles na morte do menino Juan, eles serão expulsos da corporação e terão de responder à Justiça", afirmou Duarte, no último quarta-feira (6).

Depois de sucessivos erros no caso Juan, anunciou mudanças nas condutas de seus agentes nos casos em que suspeitos morram durante confronto - nos chamados autos de resistência . A portaria foi publicada sexta-feira no boletim interno da Polícia Civil, e que já está em vigor, determina investigação mais rigorosa nos casos em que um suspeito for morto, o chamado auto de resistência. As informações foram confirmadas pela assessoria da Polícia Civil.

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