Caso Juan: PMs afastados podem ser expulsos da corporação

Erros sucessivos nas investigações protelaram desfecho do desaparecimento do menino de 11 anos por quase uma semana

iG Rio de Janeiro |

Aline Custódio/Agência O Globo
Mãe mostra foto do menino Juan, de 11 anos, que desapareceu após ter sido supostamente baleado em confronto
Quatro PMs investigados pelo sumiço do menino Juan de Moraes, de 11 anos, dado como morto nesta quarta-feira (6), foram afastados da corporação. Eles podem ser expulsos da polícia caso seja provado que tiveram participação na morte e no desaparecimento da criança.

O anúncio foi feito pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, que informou que, por enquanto, os policiais não exercerão mais nenhuma função.

"Se ficar comprovada a participação deles na morte do menino Juan, eles serão expulsos da corporação e terão de responder à Justiça", afirmou Duarte.

Os PMs já estavam afastados das ruas, mas ainda realizavam trabalhos administrativos no batalhão de Mesquita (20º BPM), na Baixada Fluminense, onde eram lotados. A partir de agora, eles terão de comparecer diariamente à Diretoria Geral de Pessoal (DGP).

Na manhã desta quarta-feira, a chefe de Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha, admitiu erros nas investigações ao confirmar a morte do menino, desaparecido desde o dia 20 de junho, após uma incursão do 20º BPM na favela Danon, em Nova Iguaçu, também na Baixada.

A delegada admitiu que erros da perícia protelaram por quase uma semana o desfecho sobre o sumiço do garoto.

Na última quinta-feira (30), a polícia encontrou o corpo de Juan no Rio Botas - a 18 quilômetros da favela Danon -, mas a perita responsável pela identificação da ossada afirmou que se tratava de uma menina . Martha Rocha afirmou que a profissional responderá a uma sindicância.

A chefe de polícia do Rio também informou que o delegado Claudio Nascimento de Souza não é mais o titular da delegacia de Comendador Soares (56ª DP), que começou a apurar o sumiço do garoto.

Investigações começaram com uma semana de atraso

Apesar de a família de Juan ter denunciado o desaparecimento do menino no dia seguinte à operação na favela - o irmão do menino, Weslley, de 14 anos, foi baleado e disse ter visto o irmão ser atingido e cair no chão -, foi preciso esperar por uma semana até que a Delegacia de Homicídio da Baixada assumisse o caso.

A perícia só chegou ao local do tiroteio oito dias depois . E embora dois policiais envolvidos na operação tivessem a ficha profissional sob suspeita, foi necessário esperar por cinco dias até que fossem retirados das ruas.

Como o iG mostrou na última sexta-feira (1), o cabo Edilberto Barros do Nascimento é réu em um processo de homicídio qualificado . Ele também está envolvido em oito mortes em que foram registrados autos de resistência - quando um suspeito é morto em confronto com a polícia. O cabo Isaías Souza do Carmo, que também participou do tiroteio, está envolvido em 13 autos de resistência.

Além disso, outros sete PMs envolvidos na operação só depuseram 15 dias depois de Juan ter desaparecido. No dia da ação, eles apresentaram uma arma e drogas como sendo de um outro jovem baleado no tiroteio, Wanderson dos Santos de Assis, de 19 anos. Os PMs afirmaram que ele era traficante.

Na ocorrência, eles ainda apontaram Wesley, irmão de Juan, como menor infrator. No entanto, mudaram o depoimento 45 minutos depois, quando disseram que, em vez de infrator, o jovem era testemunha .

O relatório dos PMs levanta outras dúvidas sobre a atuação que tiveram no dia do crime. Wanderson, que também foi baleado, chegou a passar cinco dias algemado no hospital por conta da afirmação dos policiais. Ele só foi liberado depois que a Defensoria Pública conseguiu sua liberdade provisória após provar que o rapaz tinha emprego fixo.

A família afirma que além de trabalhador Wanderson é estudante. Em entrevista a uma emissora de TV carioca, o jovem contou ter visto o momento em que Juan foi baleado e disse acreditar que o menino foi atingido por policiais.

Na última terça-feira (4), Wanderson deixou o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, onde estava internado, sob escolta policial . Foi incluído, junto com sua família, no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (PROVITA). A família de Juan também está sob proteção.

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