Caso Joanna: Falso médico diz que recebia R$ 150 por cada plantão

Em depoimento à polícia, estudante diz que hospital pagava R$ 500 mas ele tinha que repassar 70% para médica que o contratou

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

O estudante de medicina Alex Sandro da Cunha, que atendeu a menina Joanna Marcenal Martins, de 5 anos, morta em agosto, revelou nesta sexta-feira (4) em depoimento na DRCCSP (Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública) como funcionava o esquema de pagamento a acadêmicos que trabalhavam como médicos em dois hospitais particulares, no bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro.


Segundo o delegado Fábio Cardoso, Alex voltou a afirmar que foi contratado como médico pela pediatra Sarita Fernandes e que recebia por cada plantão em um dos hospitais R$ 500. De acordo com o delegado, ele ficava com R$ 150 e tinha que repassar R$ 350 para a médica. Só em uma das unidades, ele fez oito plantões na emergência pediátrica entre novembro e dezembro de 2009.

Alex se entregou na última segunda-feira (28) em uma delegacia de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele estava foragido desde agosto do ano passado. Apesar de não ter diploma, ele atendeu a menina Joanna no hospital Rio Mar, na Barra da Tijuca, na zona oeste, prescreveu medicações e deu alta para a garota mesmo com ela estando desacordada. A menina morreu no dia 13 de agosto.

O delegado afirmou que Alex "deu a entender" que outros estudantes também foram contratados por Sarita no mesmo esquema. No entanto, não soube dizer quantos porque a médica teria lhe proibido de entrar em contato com outros acadêmicos para que tudo ficasse em sigilo.

"Ela orientava a ele para não almoçar com outros estudantes que também trabalhavam como médicos", afirmou Cardoso

Cardoso afirmou ter pedido à Justiça a prisão de Alex. O inquérito da DRCCSP não é o mesmo do caso Joanna e apura a atuação dele nos dois hospitais de Santa Cruz. Nesta investigação, o falso médico responde pelos crimes de estelionato, exercício ilegal da medicina e falsificação de documentos. O delegado também deverá indiciar Sarita pelos mesmos delitos.

Diagnóstico errado

O delegado disse ter ouvido o depoimento de várias mães que tiveram os filhos atendidos por Alex. Uma delas contou ter levado seu filho recém-nascido ao hospital porque ele estava com problemas para evacuar. De acordo com Fábio, o falso médico teria afirmado que o fato era normal e mandou a criança para casa.

"A mãe, entretanto, procurou um outro médico, que lhe afirmou que o problema era sério e que a criança poderia morrer. O pediatra, então, receitou um supositório e o problema ficou resolvido", contou Fábio Cardoso.

Alex contou ao delegado que, para ser contratado como médico, Sarita pediu que ele arrumasse um carimbo de um profissional e o estudante, então, passou a usar o nome de um médico com o qual ele havia trabalhado.

O falso médico contou ainda que o esquema de contratação no Rio Mar, onde ele atendeu Joanna era diferente. Segundo ele, Sarita usou uma clínica de sua propriedade para receber pelos serviços e, no final, pagava R$ 765 mensais para Alex por quatro plantões.

No caso da menina Joanna, Alex e Sarita foram denunciados pelo Ministério Público Estadual pelos crimes de estelionato, falsificação, uso de documento falso e tráfico de drogas. A médica anda responde por homicídio doloso por omissão e exercício irregular da medicina que resultou em morte. Sarita chegou a ficar presa mas foi solta em dezembro.

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