Cabral se desculpa a família de homem morto pelo Bope

No enterro da vítima, prima da viúva disse que família não aceita desculpas e repudiou as explicações do comandante do Bope

iG São Paulo |

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), pediu desculpas à família do supervisor Hélio Barreira Ribeiro, de 47 anos, morto ontem por um cabo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no Andaraí, na zona norte do Rio.

No enterro da vítima, acompanhado por cerca de 150 pessoas, a prima da viúva disse que família não aceita desculpas e repudiou as explicações do comandante do Bope, Paulo Henrique Moraes, para o crime. "Mostrar que uma furadeira pode ser confundida com uma metralhadora? Para um policial, o exame de vista deve estar ok para poder distinguir os dois. Os policiais estão nervosos, estressados e com medo. Se a atitude é suspeita, eles atiram", criticou Marília Barbosa.

A morte do supervisor ocorreu quando policiais do Bope checavam a denúncia sobre um ponto de venda de drogas arredores de uma vila de classe média, na Rua Ferreira Pontes, um dos acessos ao Morro do Andaraí. De folga, o supervisor de vendas subiu ao terraço para consertar um toldo de plástico. Segundos depois, um projétil de fuzil entrou pelo lado direito do corpo de Hélio, atravessou a axila esquerda e furou o telhado. De acordo com a família, o supervisor morreu no mesmo instante.

A esposa da vítima acusou o Bope de truculência após o crime. Segundo ela, após o marido ser baleado, os policiais invadiram a casa, a xingaram e ordenaram que ela deitasse no chão. Ainda na 20ª Delegacia de Polícia de Vila Isabel, o capitão Ivan Blaz, relações públicas do batalhão, disse que foi dado um "brado de alerta" antes do tiro. Hoje, o comandante do Bope reafirmou que o procedimento do cabo foi correto.

Autor do disparo é descrito pelos colegas como um policial experiente e atua na linha de frente no momento da incursão da tropa nas favelas. Há 12 anos na PM, possui de milhares de horas em operações policiais. O cabo possui cursos de tiros nos Estados Unidos e na PF.

Perguntado sobre o que poderia ser feito para evitar mais episódios semelhantes ao que resultou no erro do cabo, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame disse: "Os policiais do Bope são os que mais passam por treinamentos. Eles dão instrução para polícias de todos os Estados e de outros países. Eles são treinados excessivamente, mas a polícia é feita de seres humanos e, infelizmente, seres humanos também erram. Este foi um erro grave, mas não há nada que eu diga que vá reparar a dor que esta família está passando, que vá reparar esse erro."

Suspeita

Policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar da Tijuca são acusados de executar dois traficantes no Morro do Andaraí, pouco antes da morte do supervisor. Na ação, Jhonamir Duarte dos Santos, o Peixe, de 21 anos, e Adriano Sacramento da Silva, o A-R, de 24, morreram. Uma pistola e uma granada foram apreendidas. A PM afirma que houve confronto.

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