Cabo que livrou atropelador se apresenta à PM no Rio de Janeiro

Justiça do Rio rejeita prisão preventiva de oficiais envolvidos no caso, mas eles seguem sob prisão administrativa

iG São Paulo |

O cabo da Polícia Militar Marcelo Bigon se apresentou no fim da manhã deste sábado ao 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM), onde trabalha, depois de ter a prisão administrativa determinada pelo comandante da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte.

Bigon e o sargento Marcelo Leal de Souza Martin são suspeitos de extorquir o motorista Rafael Bussamra, que atropelou e matou o filho da atriz Cissa Guimarães, Rafael Mascarenhas, de 18 anos, quando andava de skate dentro do túnel Acústico, na Gávea, zona sul do Rio, na madrugada de terça-feira.

Bigon será encaminhado ao Batalhão Especial Prisional, onde ficará detido. O sargento Marcelo Leal ainda não se apresentou à PM.

Prisão preventiva negada

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou na manhã deste sábado o pedido de prisão preventiva dos policiais militares acusados de liberar e exigir propina de Rafael Bussamra, acusado de ter atropelado e matado o filho da atriz Cissa Guimarães, o músico e skatista Rafael Mascarenhas.

Apesar de terem a prisão preventiva negada pela Justiça, os dois policiais ficarão sob prisão administrativa. "Será aberto inquérito policial-militar e os dois passarão por um conselho de disciplina. Os dois policiais deverão ser expulsos da corporação", informou a nota da Corregedoria da PM do Rio.

O pedido de prisão dos dois foi negado neste sábado sob pelo menos três argumentos . Primeiro: a falta de provas que apontassem a periculosidade dos acusados. Segundo: o fato de os policiais apresentarem bons antecedentes em suas fichas disciplinares. E um ponto contra a testemunha-chave, o pai do rapaz que diria o carro, Roberto Bussamra: ter colaborado com a polícia somente após ter sabido que se tratava do filho da atriz Cissa Guimarães.

“Por hora, o que se pode afirmar é que a manutenção dos policiais no seio o social não acarreta qualquer ameaça que seja à ordem pública, seja a aplicação da lei penal ou seja a oititiva das testemunhas”, cita a decisão do juiz Alberto Fraga, plantonista do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que negou o pedido de prisão do Comandante Geral da PM.

“É importante que se ressalte que não se está a dizer que os representados não teriam praticado o crime, sob investigação e que não devam ser punidos. Na verdade, eventual punição, se necessária, deverá ocorrer após da oititiva de todas as testemunhas, com observância de garantias constitucionais conferidas aos acusados”, diz o documento ao qual o iG teve acesso.

Propina

Roberto Bussamra, pai de Rafael, afirmou na última sexta-feira, em depoimento na 15ª Delegacia de Polícia, na Gávea, que os policiais militares que abordaram seu filho na saída do túnel onde aconteceu o atropelamento que matou o filho da atriz Cissa Guimarães, Rafael Mascarenhas, exigiram R$ 10 mil para que ele não fosse conduzido à delegacia. Como o jovem não tinha aquele dinheiro na hora, combinaram que o pagamento seria feito na manhã daquele dia, no centro do Rio.

Roberto inicialmente teria entregue apenas R$ 1 mil aos policiais, quando recebeu uma ligação da esposa dizendo que a pessoa atropelada havia morrido e era filho da atriz Cissa Guimarães. Ao saber da morte, não entregou o restante do dinheiro aos policiais, que foram embora.

Imagens gravadas na saída do túnel mostram os policiais liberando o motorista, logo após o acidente. O iG revelou na última quinta-feira que o sargento Marcelo Martins e o Cabo Marcelo Bigon abordaram o Siena preto que atropelou o músico por sete minutos e sete segundos , antes de liberarem Rafael Bussamra e o carro, que tinha marcas evidentes de uma colisão na parte dianteira esquerda. A viatura policial ficou parada atrás do Siena por esse período, enquanto Rafael aguardava socorro.

* Com Agência Estado e reportagem de Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro

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