Local era usado pelo chefe do tráfico na Rocinha para promover bailes funk onde havia venda de drogas

Traficantes aliados de Nem tinham camarotes VIP em bailes funks realizados na quadra
Raphael Gomide
Traficantes aliados de Nem tinham camarotes VIP em bailes funks realizados na quadra
A quadra de esportes onde o Bope (Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio) faz na tarde desta quarta-feira (16) uma reunião com os moradores da favela da Rocinha, na zona sul carioca, na localidade conhecida como Rua 1, é um local simbólico, porque era ali que os traficantes promoviam bailes funk para a venda de drogas.

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Fortemente armados, portando fuzis e até metralhadoras .30, eles ocupavam os "camarotes" na parte alta do galpão, a chamada "área VIP", e disponibilizavam outros "camarotes" para traficantes convidados de outros morros.

O chefe do tráfico na Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso na semana passada, frequentava a quadra usando pesado cordão de ouro, e portava fuzil e pistola. Antes dos bailes, o traficante - que gostava de ser chamado de "Mestre" pelos moradores - se regozijava ao reunir as crianças para jogar "dinheiro ao avanço".

Panfletos do Bope para a população da Rocinha
Raphael Gomide
Panfletos do Bope para a população da Rocinha
A reunião, com a presença do vice-governador do Rio, Luís Fernando Pezão, e do comandante do Bope, tenente-corone Wilman Renê Alonso, tem o objetivo de "conquistar corações e mentes" dos moradores, facilitando a ocupação e diminuindo a resistência por conta de ressentimentos. É um procedimento padrão após a ocupação de comunidades como parte das operações psicológicas para atrair o apoio da comunidade para as forças de segurança.

Um panfleto entregue pelos policiais na entrada avisa: "A sua comunidade está sendo pacificada. Denuncie criminosos, esconderijos, armas, drogas. Ajude o Bope a ajudar você. O anonimato é garantido."

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