Bope mata homem que fez duas mulheres reféns com fuzil

Sequestro ocorreu nesta segunda-feira na zona norte do Rio; polícia não sabe motivação do criminoso que chamou a própria PM

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

A polícia civil investiga os motivos que levaram um homem a invadir uma casa na favela do Muquiço, zona norte do Rio, na manhã desta segunda-feira (24) e fazer duas mulheres reféns sob a mira de um fuzil.

Após manter por cerca de uma hora as mulheres em cárcere, ele mesmo pediu para uma delas chamar a polícia. Cercado, sem fazer exigências, reagiu e foi morto por agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais).

"Ela estava trêmula e chorava. Disse que tinha um homem com um fuzil na casa e que ele ameaçava atirar nela e na minha avó", afirmou Daiane Alfredo, 23 anos, que recebeu a ligação telefônica da mãe, Ana Maria Alfredo, 47 anos, pedindo por ajuda por volta das 9h.

Logo depois, Daiane ligou para a Polícia Militar que acionou o Bope. Com um especialista em negociação de reféns, a equipe com 15 homens cercou a casa de três cômodos, localizada no interior da favela.

De acordo com o capitão Ivan Blaz, o sequestrador aparentava estar drogado. "Tentamos negociar ao máximo, mas cada vez mais ele mostrava um comportamento agressivo", disse o oficial do Bope.

"Eu só pensava no pior. A minha avó tem 77 anos e está debilitada há tempos. Minha mãe foi fazer o café da manhã para ela quando ele invadiu a casa e fechou todas as janelas e portas. Disse que iria morrer, mas levaria alguém junto. E, depois, pediu para a minha mãe ligar para a polícia", relembrou Daiane.

 E foi através de ligações telefônicas que a polícia tentou negociar. Mas, por volta das 12h30, o homem magro, branco, aparentando ter 25 anos, que não quis se identificar e, segundo a polícia, aparentava não saber o que fazia, cortou o cabo do telefone e o seu contato com o exterior.

Segundo Daiane, mais 15 minutos se passaram sem resposta e um cheiro de gás tomou conta do beco, onde ficam localizadas as casas da família.

Foi quando o Bope optou por invadir a casa. "Assim que entramos ele atirou contra os policiais e foi ferido mortalmente. Por técnica e sorte nenhum agente se feriu. Retiramos a senhora idosa que não tinha forças para andar e a mulher. Ambas estavam bem", disse Blaz.

Civilia Maria da Silveira, de 77 anos, foi levada para o Hospital Estadual Carlos Chagas, também na zona norte, onde foi tratada após ter uma crise hipertensiva.

Segundo inspetores da delegacia de Realengo (33ªDP), onde o caso foi registrado, o homem pode ser um traficante foragido que atuava no morro da Pedreira, próximo à favela do Muquiço. O fuzil que ele portava, modelo AK-47, será periciado para saber se pertence às Forças Armadas ou é produto de contrabando.

No final da tarde, Daiane estava em casa com a filha de 1 ano, à espera da mãe que ainda prestava depoimento na delegacia. "Estou aliviada, mais calma, elas estão vivas é o que importa. Não sei de onde esse cara saiu, mas a partir de agora as portas vão ficar sempre trancadas".

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