Bope leva nutricionista e dieta balanceada para tropa na Rocinha

Homens de preto trocam lanche na birosca e barra de cereais por comida quente, bebida gelada à vontade e repositores energéticos

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Raphaell Gomide
O tenente William programa a alimentação da tropa do Bope na Rocinha
O Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) inovou e passou a levar às operações no campo, a partir da ocupação da Rocinha, um oficial nutricionista, para cuidar da alimentação da tropa durante a ação.

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Raphael Gomide
Comandante do Bope, Renê, ao lado de uma panela no ônibus da PM na Rocinha
Os soldados, que antes costumavam consumir kits - com sanduíches, barras de cereal e sucos em caixinhas - em movimento, agora têm direito a almoço e jantar, o chamado "rancho", como se estivessem no quartel. A comida é quente e nutritiva, e o cardápio é selecionado por um especialista em nutrição, o tenente William Corrêa, incorporado à PM em janeiro e ao batalhão em setembro.

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"Sempre tive a dúvida de como o Bope fazia isso no dia a dia de operações, nos morros. Perguntei a um policial do Bope e ele disse que era em birosca, comendo um salgado e tomando um refrigerante. Quando saí da academia fiz uma entrevista e uma proposta ao comandante, que gostou da ideia", contou William, que era tenente da Aeronáutica.

Um ônibus da PM com local para armazenar comida em banho-maria foi levado para a base do Bope na Rocinha. O cardápio é simples, mas nutritivo: arroz, feijão, macarrão, uma proteína animal e legumes.

Além da refeição quente, os PMs têm à disposição frutas, água gelada e repositores energéticos, como Gatorade, à vontade, em isopores com gelo, do lado de fora do coletivo.

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Raphael Gomide
O comandante do Bope mostra os isopores com bebidas geladas para a tropa
De acordo com o comandante do Bope, tenente-coronel Renê Alonso, a medida é importante porque os PMs estão na Rocinha em turnos especiais, de 36h seguidas, em grupos de até 250 homens.

"A alimentação sempre foi um problema para nós, ainda mais nesse calor, com o peso do colete e do equipamento que os policiais carregam", disse.

"O kit antigo não era prático: ia no bolso da calça e, no meio do dia, o presunto estava escuro, a maçã ruim, e o PM acabava só tomando o suquinho e comendo a barra de cereal. E, assim, logo depois já vem a fome", disse o tenente nutricionista William.

Para ele, a alimentação nutritiva melhora o desempenho dos policiais e dá energia e motivação. "Agora, a disposição é ótima. Tem gente que nem vai embora, está pronto para outra."

Fabiano Rocha / Agência O Globo
Beltrame almoça no ônibus na base do Bope
De acordo com o oficial, a intenção é ter sempre comida quente e hidratação à vontade, "mas não adianta só beber água", alerta William, que a todo momento cobra dos soldados: "Já comeu alguma coisa?"

Até o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, provou o novo "rancho". Ele almoçou em uma das estreitas mesas do ônibus da PM, com a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, o subchefe Fernando Veloso, e o comandante do Bope na quarta-feira (16). "É boa a comida", aprovou Beltrame.

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