Bombeiros protagonizam polêmicas no Rio no feriado

Militares passam a noite em frente a quartel de Copacabana, em protesto por melhores salários. Oficial médico prende irmãos em UPA

iG Rio de Janeiro |

Agência Globo
Bombeiros passaram a noite em frente a quartel em protesto por baixos salários
Bombeiros militares do Estado do Rio estão protagonizando polêmicas na zona sul do Rio, neste feriado.

A equipe do quartel de Copacabana passou noite acampada, em protesto por melhores salários, em frente à unidade, na Rua Bolívar. No bairro vizinho, Botafogo, um tenente-médico bombeiro deu voz de prisão em uma UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) aos irmãos Valter e Teresa Faria, que reclamaram da demora de 3h no atendimento à mãe, Olga Faria, 91 anos, que sofre de Alzheimer.

Na manhã deste sábado, outro grupo de bombeiros faz passeata na praia do Leblon, pedindo aumento salarial. Eles pretendem ficar acampados perto da casa do governador Sérgio Cabral, no bairro, até serem atendidos em sua reivindicação. 

A vigília dos bombeiros foi também uma manifestação dos bombeiros contra a transferência de 36 integrantes da corporação para o interior do Estado do Rio. O grupo alega que a medida é em represália ao movimento que pede reajustes salariais - um soldado no Rio recebe cerca de R$ 950 mensais, em média. O comando do Corpo de Bombeiros não concorda com o movimento.

Prisão dentro de UPA

Na UPA, um dos principais e mais vistosos programas do governo Sérgio Cabral na área de Saúde, o tenente-médico Mario Chaves Loureiro do Carmo discutiu com os irmãos e os manteve presos por cerca de 15 minutos em uma sala da unidade, até a chegada da polícia.

As Unidades de Pronto-Atendimento são estruturas de complexidade intermediária entre as unidades básicas de saúde e os hospitais voltados para urgência. No Rio, como a Secretaria de Saúde de Defesa Civil incluiu o Corpo de Bombeiros, médicos militares passaram a atuar em UPAs. Apesar de o programa ser frequentemente citado pelo governo, há constantes reclamações de demora no atendimento e de falta de médicos.

No caso desta sexta, a idosa em cadeira de rodas esperava havia três horas pelo atendimento, com problemas respiratórios. Quando os filhos Valter e Teresa foram reclamar da demora, ouviram que já tinham sido chamados e, como não atenderam, teriam de voltar para o fim da fila. Os dois passaram a reclamar e Valter teria entrado em uma sala, onde teria ocorrido a discussão com o tenente que lhes deu voz de prisão. Levados à delegacia de Botafogo, prestaram depoimento e foram liberados.

Corporação vai ouvir categoria

A Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sesdec) informa que o Comando do Corpo de Bombeiros ouvirá as reivindicações da categoria em reunião na próxima quinta-feira (28), às 10h, na sede do Grupamento Marítimo (G-Mar) de Botafogo.

Sobre a reclamação do atendimento da idosa, o superintendente de urgências e emergências pré hospitalares da Sesdec, coronel Fernando Suarez, infoma que a paciente foi classificada como amarela e foi chamada por meio do visor e alto falante, oito vezes, sem comparecer para o atendimento.

Segundo nota divulgada pela Sesdec, dois familiares da paciente reclamaram de forma ofensiva sobre a espera pelo atendimento e desacataram um oficial do Corpo de Bombeiros que estava de plantão. Após a ida do oficial com os dois para a delegacia e a normalização da situação, a paciente foi atendida em menos de duas horas. Ela foi examinada, medicada e liberada.

De acordo com o artigo 331 do Código Penal, desacato a funcionário público na função leva a autuação em delegacia de polícia. Segundo o coronel Fernando Suarez, foram atendidas ontem na unidade 438 pacientes.

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