Bombeiros presos assinam alvarás de soltura e deixam quartel em Niterói

Oficiais de justiça entregaram os documentos durante a madrugada; grupo segue para Alerj e denuncia que 14 permanecem no quartel

iG Rio de Janeiro |

AE
Bombeiros foram libertados em Charitas, em Niterói, na manhã deste sábado
Os alvarás de soltura para 429 bombeiros e 2 policiais militares que estavam presos desde sábado (4)  no Quartel Central dos Bombeiros em Charitas, Niterói, foram entregues por oficiais de justiça às 4h20 deste sábado (11). Embora os alvarás tenham sido assinados por 10 presos por vez, os bombeiros esperaram a libertação da maior parte do grupo para deixarem o local, às 9h15.

Porém, 14 permanecem presos. Nove deles aguardam a expedição de seus respectivos alvarás por problemas "administrativos" durante a confecção do documento. E, de acordo com o deputado Marcelo Freixo (PSOL), cinco bombeiros que estavam presos não foram registrados quando entraram no quartel e, portanto, também não conseguiram sair.

O deputado esclareceu que contra eles há "nota de culpa" (documento que comprova que participaram da invasão ao Quartel-Central da corporação no úlitmo dia 4), porém não há registro de que eles foram levados para o quartel em Niterói. Sem o registro, o alvará não pode ser feito.

Freixo afirmou que representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro (AOB-RJ) permanecem no quartel de Charitas para acompanhar a libertação desses militares.

O parlamentar ainda contou que outras cinco pessoas foram mantidas indevidamente no quartel. E, embora tenham sido liberadas pela Justiça ao longo da semana, foram mantidas em cárcere privado. O deputado afirmou que irá convocar o corregedor dos Bombeiros para dar explicações na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

A maior parte do grupo deixou o quartel com a cabeça raspada e com a palavra "anistia" pintada na testa. É que além de gratificações, piso salarial de R$ 2 mil e vale-transporte, os bombeiros querem evitar a demissão dos 429 presos.

Manifestação na Alerj

Os presos deram os braços dados e marcharam pelas ruas de Niterói. Cantaram o hino dos Bombeiros e do Brasil. Emocionados, alguns choravam. Fogos foram soltos em frente ao quartel de Charitas para comemorar a libertação.

A concessionária Barcas S.A. disponibilizou uma embarcação para transportar gratuitamente os bombeiros até o Rio de Janeiro. Assim que desembarcarem na capital eles vão para a porta da Alerj. O objetivo, segundo os bombeiros, é "agradecer o apoio da população".

Barcas esclareceu que realizou o transporte gratuito dos bombeiros a fim de garantir tranquilidade aos passageiros do serviço, e não por apoio ideológico à manifestação.

Neste domingo, os bombeiros realizam passeata, às 9h, na praia de Copacabana, na zona sul do Rio. Além do reajuste, eles querem chamar a atenção para o pedido de anistia aos militares que foram presos.

Mas a decisão pode estar nas mãos do Ministério Público do Estado que denunciou à Justiça na noite desta sexta-feira (10) os bombeiros presos após invadirem o Quartel-Central da corporação.

A denúncia foi feita no mesmo dia em que a Justiça Militar concedeu habeas corpus para os militares presos. A Promotoria, no entanto, não pediu nova prisão dos acusados.

Os presos terão que comparecer no próximo dia 15 na auditoria da Polícia Militar. O governador Sérgio Cabral prometeu dar continuidade às negociações com os bombeiros na próxima semana.

Líderes do movimento foram soltos na noite de sexta-feira

Na noite desta sexta-feira, nove líderes do movimento dos bombeiros que estavam presos no Grupamento Especial Prisional (GEP), em São Cristóvão, na zona norte, deixaram a unidade por volta das 23h, após decisão do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), conferida na madrugada de ontem.

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