Boato: `É a vontade de fingir que sabe mais¿, diz especialista

Onda de rumores se espalha pela cidade, provoca fechamento de escolas e comércios, e altera a rotina dos moradores

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

No quarto dia de ataques criminosos no Rio de Janeiro, uma onda de boatos ajudou a aumentar a sensação de insegurança e espalhar pânico entre as pessoas. Após uma troca de tiros no centro da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, rumores de que arrastões seriam realizados no local fizeram com que comerciantes fechassem as portas. Rapidamente, policiais do 15º BPM (Caxias) ocuparam as ruas para garantir que a ameaça era falsa.

Fabiano Rocha / Agência O Globo
Comércio fechado no centro de Duque de Caxias, após homens passarem em uma moto mandando os comerciantes baixarem as portas

 “O problema da boataria é a vontade que algumas pessoas têm de fingir que sabem mais do que as outras”, afirma o psiquiatra Luiz Alberto Py. “E assim o boato não para. As pessoas surtam, começam a delirar”, avalia.

Em Nova Iguaçu, também na Baixada, boatos levaram comerciantes a encerrarem o expediente mais cedo. “Teve uma correria depois do almoço, as pessoas gritando que haveria arrastão, gente chorando”, conta a administradora Marilene dos Santos Teixeira, 35, que trabalha em um posto de saúde da cidade. “Eu não vi nada. Mas tudo fechou, até o posto de saúde onde trabalho”, diz ela, que foi para casa às 15h30.

Na Tijuca, zona norte da capital, um carro que pegou fogo após uma pane elétrica também levou pânico aos moradores. O incêndio começou por volta das 13h, na Rua Uruguai, uma das principais do bairro. “Comecei a ligar para as pessoas e a buscar informações na internet, fiquei morrendo de medo. As primeiras informações diziam que era ataque criminoso”, diz a comerciante Renata Vieira de Souza, 28, proprietária de uma loja na rua.

Ainda na capital, a PM desmentiu rumores de arrastão nos bairros de Valqueire e de Cascadura, ambos na zona norte, onde algumas lojas também fecharam as portas.

A central de atendimentos da Polícia Militar, no número 190, recebeu cerca de duas mil chamadas a mais, com cerca de 25 mil telefonemas somente nesta quarta-feira (24). O superintendente do Centro de Controle, coronel Almeida Neto, classificou o fenômeno como “medo difuso”.

Por conta da boataria, a empresa Metrô Rio divulgou uma nota para afirmar que os trens que administra estavam funcionando normalmente.

A Secretaria Municipal de Educação também emitiu um comunicado para esclarecer rumores de que a diretora de uma das escolas estaria retida com mais três alunos na Penha. No bairro houve confronto entre traficantes e policiais.

Segundo a secretaria, a profissional apenas aguardava a chegada dos responsáveis pelos estudantes. Na versão inicial que correu pela região, a escola teria sido invadida por criminosos, o que foi desmentido.

Apesar do esclarecimento oficial, foi confirmado o fechamento de 65 escolas públicas no Rio de Janeiro, 47 delas integrantes da rede municipal e 18, da estadual.

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