Beltrame e policiais se tornam príncipes em festa no Rio

Secretário de Segurança e 15 oficiais da PM dançaram com debutantes em evento promovido por UPP do Morro da Providência

iG Rio de Janeiro |

O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, e 15 oficiais da Polícia Militar foram príncipes por vinte minutos na madrugada deste domingo, ao som de "Danúbio Azul", composição clássica de Johann Strauss, tocada pela banda 190 da PM.

Fabrizia Granatieri
José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio, dança com a debutante Ana Carolina Silva, moradora do morro da Providência
A cena inusitada ocorreu durante a execução da valsa do baile coletivo de debutantes celebrado pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Providência, no centro do Rio. As aniversariantes eram dezesseis adolescentes moradoras da comunidade.

Se em 1968, o AI- 5 foi decretado após o então deputado federal Márcio Moreira Alves fazer um discurso no congresso pedindo para que as jovens evitassem os cadetes no baile de independência, o evento deste sábado mostra que, pelo menos, nas UPPs do Rio essa integração entre militares e a sociedade civil começa a apresentar bons resultados.  

A idealização da festa partiu do capitão Glauco Schorcht, que comanda a UPP da Providência desde sua criação há três meses. O oficial se inspirou na sua época de cadete, quando era frequentemente convocado para participar fardado de festas de debutantes.

Ao assumir o comando, o capitão proibiu a realização dos bailes funks na comunidade, por não possuírem os documentos previstos em lei para a sua realização com segurança. “Percebi também que esses bailes eram patrocinados pelo tráfico de drogas. Quis mostrar outra celebração e tentar assim me aproximar dos moradores”, afirmou.

Schorcht, então, convidou os outros 11 comandantes de UPPs e mais três subcomandantes dessas unidades, além do secretário de Segurança, para compor o grupo dos chamados "príncipes de debutantes". O patrocínio do evento veio de nove empresas privadas. Os moradores se encarregaram de ajudar na decoração e na escolha do que seria servido na festa, realizada no Centro Cultural José Bonifácio, na Gamboa.

Indagado se era um bom dançarino antes do início da valsa, Beltrame respondeu entre risos: “Já fui príncipe pelo menos cinco vezes em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, cidade onde nasci. Acho que dá para o gasto”

Noite de Cinderela

Fabrizia Granatieri
Oficiais da PM dançam com debutantes durante valsa
Se a realização da festa foi mais uma iniciativa de estreitamento da polícia com a comunidade, para as debutantes a noite de gala tinha uma outra dimensão. “Ganhei vestido e até tiara, como a Cinderela. Nunca poderia ter sonhado com isso”, afirmou Larissa Gomes, que cursa o 6º ano do Ensino Fundamental e pretende acelerar os estudos para tentar ser advogada.

Com o mesmo deslumbramento estava Ana Carolina da Silva que, em uma escolha aleatória, teve como par na valsa o secretário de Segurança do Estado do Rio.

“Estou emocionada, não imaginava que um dia poderia ter um aniversário assim”. A adolescente mora com onze parentes em uma casa de dois cômodos no alto do morro. O pai está desempregado e a única renda da família atual é provida pela mãe, que trabalha distribuindo panfletos no centro da capital fluminense.

Já a faxineira Vera Lúcia da Conceição, 57 anos, ficou com os olhos marejados ao ver a neta Lucimar Cardoso, que nasceu com deficiência motora e vocal, ter a cadeira de rodas que usa conduzida na valsa pelo capitão Glauco Schorcht. “Isso é mais que uma festa ou política. É uma resposta para todos que ainda olham os moradores de favela com preconceito”. 

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