Beltrame diz que ex-comandante sabia de investigações sobre coronel preso

Segundo secretário de Segurança, “autonomia implica responsabilidade e prestação de contas”

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou nesta quinta-feira (29) que o ex-comandante-geral da PM Mário Sérgio Brito Duarte perdeu o cargo porque indicou o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, preso por envolvimento na morte da juíza Patrícia Acioli, para comandar o 22º Batalhão (Maré) embora soubesse que ele respondia a processos administrativos por desvios.

Mário Sérgio afirmou desconhecer as investigações. Aparentando irritação, Beltrame disse que “autonomia implica responsabilidade e prestação de contas”.

“As informações foram passadas ao comandante Mário Sérgio, que optou pelo que fez (indicar o ex-comandante Cláudio, afastado do 7º BPM (São Gonçalo) para o 22º Batalhão (Maré). Obviamente, na medida em que dá autonomia, a pessoa se responsabiliza sobre a autonomia que recebeu. Assim foi e continuará a ser".

Leia também: Comandante-geral da PM do Rio deixa o cargo

O ex-comandante deixou o cargo na noite de ontem e admitiu ter pedido exoneração em razão da prisão de Cláudio Luiz. Ele será substituído pelo coronel Erir Ribeiro Costa Filho, anunciado hoje como o novo comandante-geral da corporação.

“Sobre o caso particular que me impõe esta decisão (a exoneração), o indiciamento do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira no homicídio da juíza Patrícia Acioli e sua consequente prisão temporária, devo esclarecer à população do Estado do Rio de Janeiro que a escolha do seu nome, como o de cada um que comanda unidades da PM, não pode ser atribuída a nenhuma pessoa a não ser a mim”, disse ele em carta enviada a Beltrame.

Ex-comandante do 7º Batalhão (São Gonçalo), o tenente-coronel Cláudio foi transferido para a Maré após o assassinato da juíza, em agosto. Na terça-feira, ele foi preso sob a suspeita de ser o mandante do crime. Além de Cláudio, outros dez policiais tiveram a prisão decretada por suspeitas de envolvimento com o crime.

Beltrame disse que a legitimidade da instituição está em ser capaz de “cortar na própria carne”. “A polícia do Rio está investigando e prendendo PMs, delegados, comandantes”, afirmou.

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