Beltrame descarta UPP na Vila Cruzeiro agora, mas PM diz que entrou para ficar

Polícia anuncia estar com total controle da favela na zona norte do Rio, e prevê permanência no local

iG Rio de Janeiro |

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, descartou a possibilidade de implantação imediata de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na Vila Cruzeiro, em entrevista sobre as operações policiais desta quinta-feira.

De acordo com ele, “não há que se falar em UPP neste momento” no local, apesar do anúncio de que a polícia tem total controle da Vila Cruzeiro, como consequência da megaoperação desta quinta-feira (25). “A ação de hoje está totalmente desconectada do projeto de UPP”, afirmou o secretário. Ele admitiu, no entanto, que “manter a polícia naquela área (dominando a comunidade) também vai exigir um esforço grande”.

O secretário afirmou existir um planejamento para a instalação de unidades do gênero, que deve ser respeitado e não inclui a Vila Cruzeiro neste momento. A favela fica em um complexo de comunidades, em uma área muito grande e que necessitaria de 2.000 policiais para a implantação de uma UPP. A PM, entretanto, tem déficit de pessoal.

A favela é vista como uma espécie de bunker de traficantes, para onde fugiram líderes de outras comunidades dominadas pelas UPPs. Estima-se que haveria cerca de 400 criminosos hoje atuando lá. De acordo com o comandante-geral da PM, porém, a corporação pretende ocupar a favela de forma definitiva.

‘Dessa vez nós entramos para ficar’, diz comandante da PMERJ

Beltrame, o comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Brito Duarte, e o chefe da Polícia Civil, Allam Turnowski, afirmaram garantir que os traficantes fugitivos da Vila Cruzeiro, em megaoperação da PM, não voltarão mais. “Desta vez, nós entramos para ficar”, disse Mário Sérgio Duarte.

Segundo Beltrame, a operação começou imediatamente após a confirmação do empréstimo dos  blindados da Marinha. “Nós sabemos que as informações vindas das unidades prisionais vêm da Vila Cruzeiro e de lá são passadas para vários lugares da cidade e do Estado”, justificou o secretário, que confirmou mais operações amanhã.

Para o chefe da Polícia Civil Alan Turnowski, os blindados fizeram também diferença no moral dos cerca de 450 policiais militares e 60 civis que participaram da operação. “Ao emprestar os blindados de transporte de tropa, acredito que todo policial tenha se sentido valorizado por poder atravessar em segurança uma linha de fogo, prestigiado pelo governo e pelo país”, afirmou.

Houve muitas perguntas dos jornalistas sobre o motivo por que a polícia não perseguiu os traficantes que fugiram da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão, vizinho. De acordo com Beltrame, o objetivo era conquistar o território e, quanto mais complexa for a operação, menor sua eficiência.

Sobre a união das facções Amigos dos Amigos (ADA) e Comando Vermelho (CV), o secretário e os líderes das polícias Militar e Civil concordaram que ela não durará muito. “A verdade é uma só: que essas facções sabem que quando uma propõe o trato com a outra e exatamente para enfraquecer a outra e ocupar o lugar dela”, disse Beltrame. 

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