Beltrame avalia suposta manipulação de índice de homicídios no Rio

Governo aponta queda no número de homicídios no Rio desde o início do governo Cabral. Economista indica ocultação do número de mortes com causa indeterminada

iG Rio de Janeiro |

O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, vai se reunir nesta terça-feira (25) com representantes da secretaria estadual de Saúde, do Instituto de Segurança Pública (ISP) e do Departamento de Polícia Técnica do Rio para avaliar os dados estatísticos administrativos e criminais do Estado.

Leia também: Número de homicídios cai 10% no Rio nos sete primeiros meses do ano

Uma pesquisa do economista Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou indícios de manipulação nas estatísticas oficiais de criminalidade do Rio de Janeiro que mostraram suposta queda no número de homicídios no Estado desde o início do primeiro governo Sérgio Cabral .

AE
Protesto na escadaria da Alerj relembrou o número de homicídios no Estado do Rio de Janeiro
Os números oficiais apontam diminuição de 28,7% nos assassinatos entre 2007 a 2009, mas o estudo de Cerqueira, doutor em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ) mostra que o Estado pode ter ocultado do número total as mortes com causa externa indeterminada, nas quais o motivo não é definido entre homicídio, suicídio e acidente. Os óbitos externos sem motivação determinada passaram de 1.857, no período de 2000 a 2006, para 4.021 entre 2007 e 2009.

O número de mortes indeterminadas, cujas vítimas foram vítimas de Perfuração de Arma de Fogo (PAF) cresceu 263% nos últimos três anos no Estado. Apenas em 2009, 2.797 pessoas morreram sem que o Instituto Médico-Legal sequer apontasse a causa. A pesquisa de Cerqueira, “Mortes violentas não esclarecidas e impunidade do Rio de Janeiro” foi divulgada no site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em busca da verdade

Em nota, a secretaria estadual de Segurança informou que a reunião desta terça-feira com a participação de Beltrame tem como objetivo “encontrar a verdade dos fatos”. No comunicado, a pasta ressalta que “os dados utilizados pela polícia e pelo ISP são baseados nos procedimentos policiais, enquanto os dados da Secretaria Estadual de Saúde são obtidos através das declarações de óbito. Ou seja, são duas bases de dados diferentes”.

De acordo com a secretaria, “todos os números fornecidos pela Polícia Civil ao ISP são rotineiramente auditados pela corregedoria da instituição, com o objetivo de evitar qualquer tipo de subnotificação das ocorrências envolvendo mortes – como, por exemplo, o encontro de cadáveres e ossadas”.

A nota informa ainda que “visando conferir maior qualidade aos dados e estatísticas da saúde, o ISP iniciou em 2011 uma parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, a pedido da pasta. O objetivo é confrontar as informações de mortes na área da saúde e da segurança a partir de 2009”. Esse trabalho, no entanto, ainda está em andamento.

* com informações da Agência Estado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG