Beltrame avalia morte por engano como "erro grave"

Policial do Bope confundiu furadeira com submetralhadora e disparou contra homem em acesso ao Morro do Andaraí, zona norte do Rio

Rafael Lemos, especial para o iG |

O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou como "erro grave e irreparável" o caso do policial que matou o supervisor de supermercados Hélio Barreira Ribeiro, de 47 anos, por engano, na quarta-feira (19), em um dos acessos ao Morro do Andaraí, zona norte da capital fluminense. Beltrame reconheceu a falha do cabo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Leonardo Albarello, e defendeu que ele responda à Justiça.

"Ele vai pagar pelo erro dele. Vai ser indiciado por homicídio doloso e responderá a processo administrativo", afirmou Beltrame. "Nada que eu disser aqui vai trazer essa vida de volta. Trata-se de um erro grave, irreparável. Uma vida foi tirada por um erro do Bope", admitiu o secretário, acrescentando que pode vir a se encontrar com a viúva nos próximos dias, caso seja necessário.

O incidente aconteceu durante uma operação do Bope na região para checar uma denúncia de que traficantes do Morro do Borel estariam escondidos na comunidade. Hélio chegou na janela de casa, com uma furadeira na mão, para instalar um toldo. O cabo Albarello, que estava a uma distância de cerca de 40 metros, confundiu a máquina com uma submetralhadora Uzi e disparou contra o morador. O episódio chama ainda mais atenção pelo fato do policial pertencer ao Bope, a Tropa de Elite da Polícia Militar do Rio.

O secretário de Segurança descartou a hipótese de falta de treinamento ou despreparo terem sido a causa da tragédia. "O Bope é o que mais treina. Eles dão instrução para policias de todo o Brasil e do mundo. Mas o Bope é composto de pessoas. O ser humano, infelizmente, está sujeito a isso. Nesse caso, aconteceu com a tropa mais bem treinada", argumentou Beltrame.

Enterro

O corpo de Hélio Ribeiro foi sepultado nesta quinta-feira (20), no cemitério do Caju, na zona portuária do Rio. Além da viúva, Regina Célia Canelas Ribeiro, de 44 anos, que testemunhou a morte do marido, também estiveram presentes os dois filhos do casal, Felipe, de 23 anos, e Gabriel, de 18.

Ainda abalado com a morte do pai, Felipe não entende como o policial conseguiu se confundir. "Daquela distância, acho que qualquer um veria que não era uma arma. Ainda mais, um policial do Bope", desabafou o jovem, revelando que a família ainda não teve tempo para decidir se vai processar o Estado. Segundo o filho mais velho da vítima, até agora, a família não foi procurada pelas autoridades a respeito de uma possível indenização ou pensão.

Duas associações de moradores da região do Andaraí chegaram a levar cartazes de protesto contra o Bope, mas a família pediu para que não fossem usados. A presidente da Associação de Moradores e Amigos do Andaraí, Daniela Alves, e a presidente da Associação de Moradores Parque João Paulo II, Cláudia Maria Dacos, revelaram que já haviam solicitado uma reunião com o comandante do Bope por conta dos excessos da tropa nas operações no local.

"Antes desse caso, já tínhamos reivindicado uma agenda com o comandante e não fomos antendidos. A violência deles é motivo de preocupação para nós", conta Cláudia Maria. "A gente só quer que eles investiguem o que quer que seja com inteligência, respeito e sem abusos", afirma Daniela Alves, que reclama da abordagem a moradores e da revista de policiais homens em moradoras da comunidade.

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