Belita Ribeiro, de 97 anos, teve que mudar de casa sete vezes

Moradores sofrem com avanço da água e diminuição do território da Ilha da Convivência

Valmir Moratelli, enviado a São Francisco do Itabapoana (RJ) |

Nos anos 90 eram mais de 400 famílias morando na Ilha da Convivência, localizada na desembocadura do rio Paraíba do Sul, no município de São Francisco de Itabapoana. Hoje são apenas três.

Dona Belita Ribeiro, de 97 anos, conhecida em todo o município como exemplo de resistência, já teve que mudar de casa sete vezes. “O mar vem, destrói tudo e a gente recua mais um pouco. Esta já é a sétima casa que eu tenho na ilha. Mas não penso em sair daqui, não. Fiquei a vida toda aqui, não vai ser agora que vão me fazer ir embora”, conta ela, que mora com o filho e um neto.

Isabela Kassow
Dona Belita, exemplo de resistência na Ilha da Convivência

Dona Belita conta que, há dois anos, quando a água avançou mais e destruiu sua casa anterior, ela teve que passar a noite em pé. “Fazer o quê? Deus quer assim. A gente vai levando a vida como pode, vai se adaptando”, diz resignada. Ela ainda se lembra de como era a vida há quase duas décadas. “Isso aqui era muito cheio de gente, era um vai e vem agitado de barcos. Todo mundo se dava bem”, recorda.

Traços nórdicos

Os moradores da Ilha da Convivência tinham uma característica bastante peculiar. A maioria era de pele clara com olhos azuis, como é o caso de Dona Belita. Segundo explica André Pinto, assessor de Planejamento e de Gestão Ambiental da prefeitura de São João da Barra, os moradores eram apelidados de muxuangos. “Eles eram provenientes de linhagem nórdica, vindos no período de forte colonização desta região, ainda quando o Brasil era dividido em capitanias hereditárias. São pessoas que chegaram na ilha e resolveram ficar, sem se preocupar com as intempéries da região”, diz.

Não há ruas ou casas com numerações. As casas foram sendo construídas aleatoriamente, em terreno plano, desde o começo do século passado. O território pertence à Marinha. As três últimas casas ainda de pé dão um tom sombrio ao que um dia foi um vilarejo cercado por vegetação rasteira, árvores frutíferas e muitos pássaros.

Isabela Kassow
Neto de dona Belita: possivelmente, a última geração a viver na ilha

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