Batalhão de Choque, que prendeu Nem, ganha força e nova função operacional

Ex-subcomandante do Bope foi designado para transformar unidade em grupo de intervenção rápida e levar experiência da tropa de elite em operações de pacificação

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Policiais do Batalhão de Choque conduzem o traficante Nem, preso por intervenção da unidade
O Batalhão de Choque da Polícia Militar, tradicionalmente voltado para o controle de distúrbios, ganhou força e novo perfil na atual gestão da PM, desde 29 de setembro, e vem se transformando em uma “unidade de intervenção rápida”. O conceito é o de emprego concentrado, atuando mais diretamente em operações, como a ocupação para pacificação da Rocinha .

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Agência O Globo
Coronel Pinheiro Neto, chefe do Estado-Maior operacional da PM, idealizou a mudança operacional do Choque
"Estamos reconstruindo o Choque, que vinha muito pulverizado, e o preparando para o rápido emprego", disse ao iG o chefe de Estado-Maior da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto .

Em menos de dois meses, a mudança teve um resultado simbólico, que elevou o moral e a auto-estima do Choque, ao mesmo tempo que lhe deu notoriedade. Atuando da nova maneira, com manobra rápida de equipes, foram policiais do unidade que abordaram, seguiram e forçaram a prisão de Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha , ocupada no domingo (13).

Pinheiro Neto idealizou a mudança, aproveitando as características da unidade e a tornando de “pronto-emprego”, usando para isso as motocicletas. Em sua origem, em 1941, o Choque – então Pelotão Motorizado – já tinha este tipo de atuação.

Objetivo do Estado-Maior é ter duas tropas de pronto-emprego de confiança

Um dos objetivos do chefe de Estado-Maior operacional é ter, além do Bope, outra unidade de elite e intervenção rápida. Assim, a PM pode mobilizar duas equipes ao mesmo tempo e não sobrecarregar apenas os “homens de preto”, ganhando agilidade e flexibilidade.

Eduardo Naddar / Agência O Globo
PMs do Batalhão de Choque são parabenizados pelo comandante-geral da PM, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, após a prisão de Nem
Para ilustrar essa mudança de concepção, Pinheiro Neto designou para o novo comando da unidade o ex-subcomandante do Bope, tenente-coronel Fábio Souza, acompanhado de mais dois oficiais da tropa de elite – o major Vinícius e o tenente Lobo.

A ida do tenente-coronel Fábio, que passou a maior parte da carreira no Bope e foi formado por Pinheiro Neto na unidade, pretendeu levar para o Choque a experiência adquirida em quase duas dezenas de operações de pacificação em que o Bope esteve envolvido. "Caveira 41", Pinheiro Neto também passou 14 anos na unidade, que comandou por dois anos.

Assim, o Choque passou a atuar de forma semelhante à do Bope, participando diretamente nas operações de pacificação e cerco às comunidades-alvos.

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