Bailes funk do tráfico: 936 denúncias em três meses

Traficantes comemoram aniversários com foguetório. Favelas sem UPP estão sob ameaça de invasão ou em guerra. Saiba quais

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

Outro exemplo de poder do tráfico em favelas, principalmente as ainda não pacificadas, é a organização de bailes funks e festas de aniversários dos bandidos, que rolam até altas horas da madrugada e perturbam o sono de moradores. Em muitos destes eventos, há venda de drogas e exibição de armas pesadas.

Leia também : Fora das UPPs: Veja onde o tráfico ainda fecha ruas no Rio

Entre os dias 1º de janeiro e 27 de março, o Disque-Denúncia recebeu 936 denúncias de bailes funks patrocinados por traficantes no Estado, sendo 543 só na capital.

Um dos bandidos que organiza as festas é Márcio José Sabino Pereira, o Matemático , que comanda o Complexo de Favelas de Senador Camará, na zona oeste da capital.

Um dos supostos bailes ocorreria aos domingos, na praça do Aviador, na Vila Aliança, onde durante os dias de semana, funcionaria uma boca de fumo.

Leia também : Menino de 11 anos morre após baile funk em favela da zona norte do Rio

Outra “festa do tráfico” aconteceria entre quinta e sábado na estrada do Taquaral e seria promovido pelo traficante Barriga, subordinado a Matemático. Segundo moradores, haveria venda de drogas nos bailes.

O mesmo traficante Barriga teria comemorado recentemente o seu aniversário de 32 anos com uma festa dentro de uma escola pública na Vila Aliança. Houve, inclusive, queima de fogos.

O bando ligado ao traficante Luiz Fernando do Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau , que comanda o morro do Chapadão, seria responsável por organizar um baile funk na rua Ismael de Souza Melo, em Guadalupe, na zona norte, todas as quintas-feiras à noite. Haveria também um outro baile do grupo de Bacalhau, com venda de drogas, na rua Javatá, em Costa Barros, às sextas-feiras.

Leia também: PM é agredido a pauladas em baile funk no Rio

No Complexo da Mangueirinha, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, há notícias de que os traficantes organizariam um baile nas madrugadas de terça para quarta-feira na rua da Mina. Segundo os moradores, “rola de tudo”.

Na Ilha do Governador, na zona norte da capital, há informes de que o chefe do tráfico no morro do Dendê, Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, mandaria fechar a rua Catalpa, na localidade de Jardim Carioca, todas às sextas feiras, para promover baile funk.

De acordo com moradores, ninguém consegue dormir nas noites de quinta-feira na favela do Mandela, em Manguinhos, na zona norte. O motivo: a realização de um baile funk promovido por traficantes.

Perturbação ocorreria também no morro do Preventório, em Charitas , no município de Niterói, na região metropolitana. Informes indicam que os criminosos realizam bailes funk com execução de músicas em alto volume que fazem apologia ao sexo e ao tráfico de drogas aos finais de semana.

Na mesma favela, há denúncias de que os traficantes invadem casas de moradores e os expulsam e impõem toque de recolher.

Ameaças de invasão

Jadson Marques/Agência O Globo
Baile funk supostamente patrocinado pelo tráfico que foi interrompido pela polícia em Santa Cruz no ano passado
Favelas sem UPP vêm sofrendo ameaças de invasão ou de guerra entre facções nas últimas semanas. O risco ocorre, por exemplo, na Vila Kennedy, na zona oeste, que está dividida desde o ano passado entre as facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando (TCP).

Na noite do ultimo domingo, traficantes ligados ao CV tentaram invadir o morro São José Operário, controlado por milicianos. Houve intenso tiroteio. A mesma comunidade já havia sido atacada em março quando uma pessoa morreu.

Um informe recebido pelo Disque-Denúncia no último dia 26 dizia: “Vila Kennedy: continua a tensão em toda a área. População assustada com a guerra do tráfico, que não cessa”.

A situação estaria tensa também na favela da Covanca, em Jacarepaguá, na zona oeste. Há notícias de que traficantes e milicianos estão disputando a área.

A polícia ainda tem informações de que as favelas Parada de Lucas e Vigário Geral, na zona norte, controladas pelo TCP, e que já foram alvos de uma invasão do CV no início de março, poderão ser novamente atacadas. Segundo fontes da polícia, o "bonde" invasor sairia do morro do Chapadão.

O clima também é pesado na comunidade Santa Lúcia, em Imbariê , distrito de Duque de Caxias. No final de fevereiro, traficantes do TCP baseados no Complexo da Maré, na zona norte da capital, invadiram a comunidade e expulsaram os rivais do CV que, agora, tentam retomá-la.


Jadson Marques/Futura Press
Comunidade Vila Kennedy, na zona oeste, vive disputa entre facções desde 2011

    Leia tudo sobre: bailes funkstráfico

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG