"Avisar sobre operação não importa", diz secretário Beltrame

À frente da megaoperação em 9 favelas do Rio, Mariano Beltrame afirma que aviso prévio é uma estratégia utilizada pela polícia

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou que o aviso prévio sobre a ocupação da polícia nas favelas em processo de pacificação na cidade é estratégica e não atrapalha o planejamento das operações. A meta, segundo ele, é ocupar as comunidades e acabar com o poder de ação dos traficantes. "Objetivo é o território. Prisões e apreensões serão feitas. Se acontecerem, ótimo. Se não acontecerem, a população estará livre de fuzil e da atuação desses marginais", afirmou.

JADSON MARQUES/AE
Moradores observam blindado da Marinha durante a ocupação no Complexo do São Carlos, no Rio

Desde e manhã deste domingo (7), nove comunidades nos bairros do Estácio, Santa Teresa e Rio Comprido foram ocupadas por 846 policiais. Beltrame admitiu que a comunicação das ações com antecedência pode,sim, facilitar a fuga de criminosos, mas, insistiu que a divulgação não atrapalha a polícia. "No momento em que você etá muito perto de entrar é uma possibilidade que se tem (anunciar a operação). Neste caso, foi uma opção que o governador ( Sérgio Cabral ) fez. Mas estávamos prontos. Ter aviso ou não, não importa. O que tem que ficar claro é que nós retomamos o território sem aumentar as estatísticas de homicídios ou de autos de resistência", insistiu Beltrame.

O secretário, no entanto, afirmou que o fato de os criminosos - sobretudo os apontados como os chefes do tráfico nessa região - terem fugido continuará sendo investigado. "É bom que se fale que quando esses marginais saem da comunidade, eles não estão em número muito grande porque não são todos que conseguem guarida. É preciso ter conhecimento dentro da facção para que a pessoa seja recebida nesses locais", disse Beltrame. "Os que ficam são os operários do tráfico que continuam no crime miúdo e a polícia, uma vez presente, consegue fazer seu trabalho sem tirar a vida de inocentes", garantiu.

José Mariano Beltrame preferiu não se aprofundar sobre a fuga dos bandidos, que teriam se refugiado na favela da Rocinha, na zona sul, e em morros da zona norte e de municípios vizinhos da Região Metropolitana, como São Gonçalo. "Somos profissionais de inteligência e não vamos confirmar essas informações", desconversou. Perguntado pelo iG sobre o paradeiro das armas utilizadas pelos traficantes, como pistolas e fuzis, Beltrame não respondeu.

Até as 11h deste domingo, foram apreendidos 650 papelotes de cocaína, 1,5 quilo de pasta base da droga, 2 tabletes de maconha, 235 pedras de crack, 3 motos, munição e um artefato explosivo. As apreensões foram realizadas nos morros de São Carlos, Mineira, Fallet, Fogueteiro, Querosene, Zinco, Prazeres, Escondidinho e Coroa.

A partir desta segunda, ocupação será mantida com metade do efetivo

De acordo com o coronel Lima e Castro, Relações Públicas da Polícia Militar, a partir desta segunda-feira (7) 400 policiais garantirão a ocupação das nove favelas. Segundo ele, agentes civis e federais começarão a cumprir mandados de prisão nas comunidades. Ele acrescentou que o apoio logístico da Marinha não será mais necessário e que os 150 fuzileiros navais e 13 veículos blindados que garantem apoio logístico à operação deixaram a localidade.

O planejamento inicial da Secretaria de Segurança Pública do Rio prevê a instalação de três Unidades de Polícia Pacificadora (UPP´s) nas favelas do Estácio, Rio Comprido e Santa Teresa. Ao todo, 636 homens farão patrulhamento na região, sendo 200 praças,  30 graduados e 6 oficiais. A secretaria estuda a possibilidade de a UPP começar a funcionar em um mês.

De acordo com a Secretaria de Segurança, estas UPP´s devem beneficiar diretamente 26 mil moradores das nove favelas e 520 mil pessoas que moram e transitam diariamente pelos 17 bairros localizados no entorno das áreas pacificadas.

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