Ataques provocam tensão e apreensão até em PMs do Rio

Policial militar avalia que, se ataques continuarem, `vai morrer muita gente¿ em reação às ações criminosas

iG Rio de Janeiro |

AE
Policiais realizam operação na Favela do Jacarezinho, em Benfica, zona norte do Rio

Atuando na linha de frente do combate contra criminosos, quatro policiais militares revelaram ao iG que os ataques na Região Metropolitana criaram um clima de forte tensão e apreensão não só para a população, mas também para a tropa que deve defendê-la. Nos batalhões, que estão em prontidão, o clima é de receio.

Os PMs falaram ao iG com a condição de não serem identificados, por temerem represálias na corporação. Três deles estão participando nas ruas das operações para reprimir os ataques.
“O clima está muito tenso. Os caras [criminosos] estão tocando o terror, metralhando cabine de polícia, não estão brincando. Está brabo, o negócio está feio. Preocupado a gente fica, com certeza, mas vamos fazer o quê?”, questionou um praça do 41º Batalhão da PM (Irajá).

“Com certeza, nossa..., é muita preocupação, sem dúvida. Todo mundo está apreensivo, não se fala em outra coisa”, disse outro, do 14º BPM (Bangu).

PMs mortos em serviço

Entre 1999 e março de 2009 foram assassinados 1.458 policiais no Rio, a maioria fora de serviço, quando se está sem a proteção de equipamento e colegas. Em 2010, morreram 12 policiais em serviço até agosto – no ano passado eram 24. O dado dos mortos de folga não está disponível.

Para um soldado ouvido pela reportagem, a continuidade das ações dos bandidos pode provocar uma reação ainda mais forte das polícias e resultar em um “banho de sangue”.

O policial militar citou a afirmação do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, de que “quem atravessar o caminho do que está sendo proposto (pelo Estado) será atropelado.” Segundo Beltrame, o Estado vai reagir com "força dobrada" caso ações do gênero continuem.

Desde o início das operações policiais para coibir os ataques, já morreram 13 pessoas em confronto com as forças de segurança.

“Eles (criminosos) são muito audaciosos, eu não sei onde isso vai parar. Acho que vai começar a morrer muita gente. O secretário não disse que estão desafiando o Estado. O couro vai comer, vai ter um banho de sangue”, afirmou o PM.

Ao se despedir, um policial recomenda atenção ao repórter ao circular pelo Rio. "Cuidado, que a pista [rua] não está mole!"

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