Assinado acordo para contratação de empresa que vai monitorar bueiros

MP e Prefeitura do Rio querem implantar um sistema de monitoramento das redes de energia elétrica e gás canalizado

iG Rio de Janeiro |

Divulgação/ Fábio Maia
Protesto do publicitário Fábio Maia e do designer Leo Conrado. Eles resolveram colar adesivos bem humorados alertando para o riscos de explosões dos bueiros
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a Prefeitura carioca e o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio (Crea-RJ) assinaram nesta quarta-feira (13) um acordo de cooperação técnica que prevê a contratação de empresa para verificar os locais com risco de explosão de bueiros na cidade.

O objetivo é implantar, em caráter emergencial, um sistema de monitoramento das redes de distribuição de energia elétrica e gás canalizado. O acordo prevê também o acompanhamento do cronograma de investimentos firmados no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) celebrado entre o Ministério Público e a Light, além do repasse de informações técnicas sobre o desempenho das redes das concessionárias para a Promotoria e para as agências reguladoras federal e estadual.

“Nos próximos dias, o Crea vai apontar a empresa responsável pelo monitoramento. Através do TAC, a Light já se comprometeu a modernizar suas instalações para evitar novos acidentes. Até lá, a empresa contratada pela Prefeitura fará um acompanhamento permanente das galerias subterrâneas”, afirmou o procurador-geral do Estado, Cláudio Lopes

Para o promotor Rodrigo Terra, falta a CEG (Companhia Estadual de Gás) aderir ao TAC. Ele enalteceu a iniciativa da Prefeitura para evitar novas explosões.

“Há uma deficiência clara na fiscalização do sistema. O prefeito Eduardo Paes resolveu contribuir de forma pró-ativa com um monitoramento que aponte potenciais vazamentos. Essas informações serão levadas às concessionárias para que tomem as providências necessárias”, afirmou.

O acordo de cooperação técnica deverá vigorar pelo prazo de dois anos, condicionado à vigência do TAC.

Causas desconhecidas

Conforme o iG revelou nesta terça-feira, pelo menos 35 bueiros explodiram na capital desde 2009. Entretanto, até o momento, o ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli da Polícia Civil) só divulgou o resultado de duas investigações.

Os laudos, porém, não são conclusivos. “O que deu início à explosão foi uma falha elétrica no transformador, e também falha ou insuficiência de exaustão das câmaras subterrâneas”, dizia o relatório da explosão ocorrida dia 29 de julho de 2010 em Copacabana, na zona sul, quando um casal de turistas americanos ficou gravemente ferido.

O laudo do ICCE chegou a afirmar que havia uma “atmosfera explosiva formada por gases combustíveis” no local, por onde também passa uma rede de gás natural da concessionária CEG – empresa que administra as redes de gás da capital. Porém, os peritos explicaram que, por falta de equipamento, o tipo de gás presente na explosão não pôde ser identificado.

No resultado de outra perícia, realizada após a explosão de um bueiro em 2009, no Centro - que deixou uma pessoa ferida -, os especialistas do ICCE afirmaram que “dois transformadores da concessionária Light sofreram danos característicos de explosão de mistura de ar/gás”. Os peritos apontaram um vazamento da CEG como origem do combustível.

Embora a polícia afirme que os relatórios tenham sido encaminhados para a Justiça e o Ministério Público do Estado, Light e CEG não foram responsabilizadas até agora. Nem mesmo pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que levou o Ministério Público Federal (MPF) a abrir um inquérito para investigar a suposta falta de fiscalização agência reguladora nos bueiros da Light.

Veja o mapa com as explosões dos bueiros no Rio:

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