Armas de alta letalidade, em desuso pela polícia, eram usadas no tráfico

Metralhadora Madsen e fuzis Springfiel e HotchKiss têm grande poder de perfuração

Mario Hugo Monken e Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

Armamentos que eram usados em guerras e em desuso pelas forças militares e policiais foram encontrados na Rocinha. É o caso da metralhadora Madsen calibre 762. Segundo policiais consultados pelo iG , a arma seria a mais cara entre todas recolhidas até agora. No mercado negro, ela estaria custando cerca de R$ 80 mil, segundo a Polícia Civil.

"A metralhadora Madsen tem capacidade de dar cinco rajadas com 20 tiros cada uma. Ela equivale a um grupo armado com cinco fuzis", conta um agente.

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De acordo com o especialista em armas Vinicius Cavalcante, a Madsen é considerada uma arma de apoio de fogo. "É uma arma barulhenta, pesada, sem precisão. Usada para dar tiros em um ponto do terreno enquanto a tropa avança", afirmou.

Segundo Cavalcante, essas armas eram usadas pelo exército brasileiro e, com o seu desuso após a II Guerra Mundial, foram repassadas para as polícias militares ou estão com colecionadores.

Não são mais usadas pela polícia militar do Rio de Janeiro pela alta letalidade e falta de precisão. No entanto, são facilmente encontradas nos batalhões fluminenses.

Cerca de 10 exemplares dessa metralhadora estão, por exemplo, no 14°BPM (Bangu). De acordo com o tenente-coronel Alexandre Fontenele, comandante da unidade, o uso dessa arma é desaconselhável.
“Temos no nosso arsenal, mas não deixo usar devido à falta de precisão e poder de transfixação. Os policiais só podem usar Fal e Parafal”, afirmou.

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Outra arma apreendida foi uma metralhadora HotchKiss, alimentada por um suporte metálico lateral.

"Ela tem como característica o pente que 'corre'. Os cartuchos são colocados nesse pente e, conforme os tiros são disparados, ele se move. É uma concepção antiga de alimentação da arma, diferente, mas tem um poder de perfuração grande devido ao calibre". A HotchKiss apreendida tem o calibre 7x57 mm.

O chamado fuzil-metralhadora Hotchkiss deste calibre foi substituído, no Brasil, pelo fuzil-metralhadora Browning (conhecido no exército norte-americano como BAR, sigla de Browning Automatic Rifle), no calibre 7,62x63 mm ou .30 Springfield.

Tanto o BAR como o Springfield também foram apreendidos na Rocinha. Ambas armas de poder de fogo, usadas em guerras, mas a diferença é que podem ser utilizadas com munições antiaéreas.

“Com o Springfield é viável um tiro de cada vez. Já o BAR é automático, pode dar rajadas. Assim, com maior cadência, a possibilidade de se acertar uma aeronave de pequeno porte em pleno voo é maior”, afirmou Lincol Tendler, especialista em armas pesadas e editor-chefe da Revista Magnum.

Para o comandante do Bope em exercício, Major André Batista, os traficantes estavam com um grande arsenal em mãos, mas é necessário técnica para ele ser utilizado, além de munição específica. "Poder bélico sem recursos humanos e sem qualificação não representa nada. Existem armas de diversos calibres no rol das que poderiam causar danos irreversíveis à sociedade fluminense, no entanto, foram retiradas de circulação e justificam a presença, manutenção e a preservação da pacificação em favor daquela comunidade", disse em nota ao iG .

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