'Ninguém me avisou', lamenta aposentada sobre remédios gratuitos

Pacientes hipertensos e com diabetes desconhecem Programa `Saúde não tem preço¿ do governo federal, em vigor nesta segunda-feira

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Isabela Kassow
A aposentada Maria Regina Pacheco não sabia do início do programa e acabou pagando mais por remédios que podem ser adquiridos gratuitamente
Às sete horas da manhã desta segunda-feira (14), a aposentada Maria Regina Pacheco, de 69 anos, saiu de casa para comprar os remédios necessários para passar a semana com a pressão sob controle. Uma hora depois, voltou chorando pela Rua do Catete (zona sul do Rio de Janeiro), com uma sacolinha com cinco caixas de medicamentos que lhe custaram R$ 20 a mais que o normal. “Sou aposentada e ganho um salário mínimo, não posso pagar esse valor”, disse, ao explicar as lágrimas.

Na prescrição médica constavam Atenolol 25 mg e Glibenclamida 5 mg, que nesta segunda-feira começaram a ser distribuídos gratuitamente pelas farmácias conveniadas ao programa “Aqui tem Farmácia Popular”, do governo federal . “Eu não sabia que podia pegar os remédios gratuitamente, ninguém me avisou”, lamentou Maria Regina, que fez a compra em uma unidade da rede Drogasmil que não era conveniada ao programa (a rede conta com uma loja credenciada no Largo do Machado, bairro vizinho ao Catete).

Para a aposentada Conceição Gaspar Leite, 68, a história foi parecida, mas teve um final feliz. Também pela manhã, ela seguiu para a drogaria em busca dos medicamentos semanais. Ao passar pelo caixa, percebeu que a conta estava mais barata. “Mas não falei nada”, contou. Quando deixou a unidade conveniada da Drogaria Pacheco, no Largo do Machado, descobriu, pela reportagem do iG , o início do programa “Saúde não tem preço” – lançado no último dia 3 pela presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Os remédios eram baratinhos, mas, no fim do mês, essa gratuidade vai gerar uma boa economia”, disse ela, que faz uso de três medicamentos da lista de gratuidade.

Isabela Kassow
A aposentada Conceição Gaspar Leite não sabia do início do programa, mas acabou levando os remédios de graça e comemorou

O motorista Francisco de Jesus Gomes é o responsável pela compra dos remédios de seu pai, um aposentado de 92 anos. Ele foi informado da distribuição gratuita na semana passada, graças a um vendedor de farmácia. “Saí para comprar os medicamentos que meu pai faz uso para controlar a pressão e o vendedor me avisou que a partir desta semana seria gratuito. Achei a iniciativa boa, mas acho que precisa ser melhor divulgada”, avaliou.

Em municípios vizinhos, os relatos foram parecidos. “Tem muita gente que vem aqui e não sabe que o programa existe, a gente que avisa”, contou o vendedor Marcelo Santos, da Drogaria Preço Popular, no bairro Rio Douro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana.

“Tem muita gente que chega aqui e até se assusta quando sabe que os remédios agora são de graça. Não estão acostumados, né?”, comenta a farmacêutica Wilcilene Moredjo, responsável pela Farmácia Ponto Certo, no bairro Jardim Metrópole, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde diz que a divulgação da medida foi feita durante o anúncio feito pela presidenta Dilma e deverá ser feita pelas próprias farmácias conveniadas ao programa “Aqui tem Farmácia Popular”.

Regras rígidas

Isabela Kassow
A farmacêutica Cristiane Amaral da Costa cadastra uma entrega no programa do Farmácia Popular: "A fiscalização é permanente", ela explica
Para receber qualquer dos 17 medicamentos para hipertensão (seis) e diabetes (11) que o governo federal passou a disponibilizar gratuitamente é preciso apresentar CPF, documento com foto e receita médica com validade de até 120 dias.

“O governo disponibilizou para as farmácias um programa de computador pelo qual é feito o controle da entrega. Além disso, precisamos escanear todas receitas, que também passam por análise da fiscalização”, explicou a farmacêutica Cristiane Amaral da Costa, responsável pela Drogaria Venâncio no bairro Copacabana.

“Acho trabalhoso ter de apresentar tantos documentos para retirar os remédios. Mas se é para evitar fraude, tudo bem. A gente perde tempo, mas é por uma boa causa”, comenta o aposentado José Wilson Rocha de Oliveira, 72.

Confira, abaixo, os princípios ativos dos medicamentos contra hipertensão e diabetes que passam a ser oferecidos gratuitamente a partir desta segunda-feira

Hipertensão
Captopril 25 mg, comprimido
Maleato de enalapril 10 mg, comprimido
Cloridrato de propranolol 40 mg, comprimido
Atenolol 25 mg, comprimido
Hidroclorotiazida 25 mg, comprimido
Losartana Potássica 50 mg

Diabetes
Glibenclamida 5 mg, comprimido
Cloridrato de metformina 500 mg, comprimido
Cloridrato de metformina 850 mg, comprimido
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, frasco-ampola 10 ml
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, frasco-ampola 5 ml
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, refil 3ml (carpule)
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, refil 1,5ml (carpule)
Insulina Humana Regular 100 UI/ml, solução injetável, frasco-ampola 10 ml
Insulina Humana Regular 100 UI/ml, solução injetável, frasco-ampola 5 ml
Insulina Humana Regular 100UI/ml, solução injetável, refil 3ml (carpules)
Insulina Humana Regular 100UI/ml, solução injetável, refil 1,5ml (carpules)

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