Após ser solto, tenente-coronel Beltrami é exonerado de batalhão

Medida pretende preservar o oficial, preso pela Polícia Civil. Com prestígio na corporação, ficou preso no QG e teve visita de dois ex-comandantes-gerais

iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Djalma Beltrami (blusa listrada) se desespera logo após receber voz de prisão, segunda-feira
Um dia depois de ser libertado , por habeas corpus do Tribunal de Justiça, o tenente-coronel Djalma Beltrami, foi exonerado do 7º Batalhão da Polícia Militar (São Gonçalo) e transferido para a Diretoria Geral de Pessoal (DGP), pelo comando da corporação. Embora a DGP seja considerada uma "geladeira", neste caso a medida não é uma punição, mas uma tentativa de preservá-lo, após sua prisão.

Beltrami goza de prestígio e boa reputação na PM e conta com o apoio silencioso da cúpula da corporação, que o indicara para fazer uma “faxina” na unidade. É tido pelo comando como oficial sério (honesto) e operacional. Ele assumiu a unidade após a prisão do ex-comandante, tenente-coronel Cláudio Oliveira, por suspeita de participação na morte da juíza Patrícia Acioli.

A ideia da PM é esperar o fim do imbróglio e da investigação para, caso nada seja provado contra o oficial, designá-lo para outra função de relevância. Beltrami era árbitro profissional de futebol e se aposentou recentemente.

Como deferência, oficial ficou preso no QG e teve visita de dois ex-comandantes

Como deferência do comandante-geral, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, Beltrami ficou preso no quartel-general da corporação, onde recebeu a visita de dois ex-comandantes-gerais, Ubiratan Ângelo e Mário Sérgio Brito Duarte. Após ser solto, disse que tem a consciência tranquila e que não há provas contra ele.

O tenente-coronel foi detido por policiais civis , na Operação Dezembro Negro , na manhã de segunda-feira, suspeito de receber propina de traficantes da cidade para não patrulhar em determinadas favelas. O delegado Alan Luxardo, da Delegacia de Homicídios de Niterói, apresentou publicamente, como provas, apenas interceptações telefônicas em que é citado por um PM e um traficante o “01” – na interpretação da Polícia Civil, o “01” seria Beltrami, então comandante da unidade.

Desembargador que concedeu liberdade diz que se colocou um inocente na cadeia

Até o momento, o oficial não aparece em nenhuma interceptação tratando de corrupção. Apesar disso, a Justiça decretou sua prisão temporária. A prisão por policiais civis gerou uma crise velada entre as duas instituições, embora os seus líderes principais não estejam se manifestando sobre o caso.

Na decisão de habeas corpus para a soltura de Beltrami, o desembargador Paulo Rangel, do plantão judiciário criticou a polícia pelo pedido de prisão do oficial e o juiz da 2ª Vara Criminal de São Pedro d’Aldeia, que a concedeu. Disse que a polícia está “brincando de investigar” e que o magistrado se deixou levar pela “maldade da autoridade policial”. Segundo ele, “a versão da autoridade policial colocou, até então, um inocente na cadeia”.

Em coletiva sobre a Operação Lobão , que tem 30 mandados de prisão contra milicianos - entre eles dez PMs, dois policiais civis -, o corregedor da PM, Waldyr Soares Filho, disse esta manhã que "não há cisão entre a PM e a Polícia Civil". "Não há divisão, de forma alguma, a prova disso é que estamos trabalhando juntos nesta operação de hoje", afirmou.

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