Após invasão, polícia vasculha o Complexo do Alemão

Policiais retiram da favela armas, drogas, munições e outros suprimentos que abastecem o crime organizado na região

Anderson Ramos e Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Policiais militares invadiram o Complexo do Alemão às 7h59 da manhã deste domingo, pondo fim à espera que durou toda a madrugada e o início da manhã.  A ocupação ocorreu com pouca resistência e logo em seguida deu lugar a uma operação para vasculhar casas e barracos do complexo, em busca de armas, drogas e outros suprimentos que abasteciam a rede do crime organizado na região.

AFP
Invasão ao Morro do Alemão teve início por volta das 8 horas da manhã deste domingo
O acesso dos policiais foi feito pela entrada principal do complexo de favelas, pela esquina da rua Joaquim de Queiroz e da avenida Itararé, por onde 60 homens da Cordenadoria de Recursos Especiais (Core) deram início à retomada do território dominado por cerca de 500 traficantes armados de metralhadoras e fuzis.

Pouco após o início da operação, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, já comemorava o fato de terem encontrado bem menos resistência para ocupar a região do que era esperado. "Triunfamos. Nós conquistamos todos os pontos que desejávamos. A paz voltou a reinar no Alemão", disse Duarte.

Em uma única casa, localizada próxima ao lugar onde traficantes haviam feito um buraco de dois metros de diâmetro para evitar o acesso dos blindados, a Polícia Civil apreendeu um fuzil de calibre 30, pelo menos outros 10 fuzis, munições e uma quantidade muito grande de maconha e cocaína, estimada em uma tonelada.

Diante do cerco montado pelos policiais, parte dos criminosos recorreu a todo tipo de estratégia para fugir. De acordo com relações públicas do Batalhão de Operações Especiais (Bope), capitão Ivan Blaz, alguns criminosos se fingiram, por exemplo, de membros de igreja evangélica. O iG viu pelo menos dois indivíduos vestidos de terno e gravata, carregando bíblias, serem detidos pela polícia.

As buscas prosseguiram na tarde deste domingo, enquanto dois helicópteros do Exército e outros dois da Polícia Civil sobrevoavam a área em voos rasantes, repassando informações para os policiais que agem na comunidade. Até pouco depois do meio-dia, policiais contavam pelo menos 5 fuzis antiaéreos e mais de 20 fuzis.

Além disso, várias toneladas de drogas deixam a favela a todo o momento, o que ainda dificulta uma conta exata do montante apreendido. Presos também chegam sem parar à unidade de reconhecimento montada pela PM, mas até agora somente três deles foram contabilizados oficialmente. Os números finais da operação, segundo a polícia, só serão conhecidos mais tarde.

Várias pessoas foram presas, mas até o início da tarde nenhum balanço ou estimativa havia sido divulgado pelos policiais. Os criminosos detidos estavam sendo levados para uma unidade de força tarefa da Polinter e os que possuem ficha criminal seriam encaminhados para a 22ª DP, na Penha.

Bloqueios

Como parte da operação, mais de 40 acessos à favela foram bloqueados por militares do Exército. Moradores foram impedidos de entrar na comunidade, por medida de segurança. Por volta das 7h, um casal com um bebê recém-nascido tentou entrar na favela, mas foi impedido pelos soldados do Exército.

nullOs militares explicaram que havia o risco de a família ser usada como escudo pelos bandidos ou ser atingida por balas perdidas. Pela janelas das casas, alguns moradores estenderam panos brancos em pedido de paz.

A ação de hoje ocorreu após a  Polícia Militar ter dado ontem um últimato aos criminosos , que tiveram até o fim da noite para se render e deixar a favela com as armas sobre a cabeça. Boa parte dos bandidos resistiu, num claro sinal de que partiriam para o confronto. Até ontem, só Diego Raimundo da Silva dos Santos, conhecido como Mister M , acusado pela polícia de ser auxiliar direto de um dos líderres do tráfico de drogas na comunidade, e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, tinham se entregado.

Desde o início dos confrontos, quando a polícia ocupou a Vila Cruzeiro, favela vizinha ao Complexo da Penha, moradores dizem que estão sem luz e água . O governador Sérgio Cabral divulgou nota na noite deste sábado em que afirmou que "o momento é de retomada de territórios, de afirmação da ordem e do Estado de Direito Democrático".

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