Após fuga cinematográfica, suspeito de assalto na Tijuca é preso

Criminoso atravessou a portaria no meio de vítimas e de PMs e escalou um muro de três metros para se esconder em outro prédio

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Gustavo Stephan/Agência O Globo
Depois de sair pela porta da frente do prédio assaltado na Tijuca, ladrão foi preso em um edifício próximo
Em uma atitude ousada, um dos cinco homens que assaltaram um prédio residencial na Tijuca , na zona norte do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (15), atravessou a portaria social do edifício onde estavam reunidas diversas vítimas do crime e conseguiu escapar.

O suspeito desafiou até mesmo dezenas de policiais militares que cercavam o local, como mostram imagens exclusivas do circuito interno de TV do edifício, que o iG teve acesso.

Somente quando estava na calçada, a uma distância de cerca de quatro metros do delegado Marcos Buss, que comanda as investigações, o ladrão foi reconhecido por uma moradora que gritou "é ele, pega ladrão".

O assaltante percebeu que foi identificado e saiu correndo pela rua. A polícia foi atrás. Tiros foram disparados mas nenhum acertou o suspeito. Ele conseguiu percorrer cerca de 100 metros até se esconder em um outro edifício na mesma rua, no número 459. Após isso, a polícia o capturou.

"Estava sentada quando percebi a presença de uma pessoa que não estava no grupo. Achei estranho. Olhei para a blusa dele e vi que tinha sangue. Foi quando me toquei que era um dos assaltantes", disse a mulher que alertou os policiais.

O bandido foi rendido pelos policiais, que entraram no prédio número 459. Foi imobilizado, carregado pelo pescoço e teve as mãos presas para trás. Pessoas que assistiam à captura, revoltadas, tentaram linchar o ladrão. A polícia precisou usar gás de pimenta para dispersar a população.

"Foi muita ousadia. Ele passou o dia inteiro escondido dentro do prédio e, mesmo assim, conseguiu escapar. Parece que ele ficou escondido dentro do elevador social, que estava desligado", disse uma moradora que teve o apartamento roubado pela quadrilha.

Após a prisão, os moradores do edifício assaltado ficaram indignados. "Ele teve a ousadia de deixar o local nas barbas da polícia. Nunca vi coisa igual", disse uma outra vítima.

O assaltante foi levado para a delegacia da Tijuca (19ª DP).

Como foi o assalto

O edifício de dez andares que fica na Rua 18 de Outubro foi invadido por pelo menos cinco bandidos, que ficaram no prédio durante uma hora e meia. O local foi cercado por PMs. Houve troca de tiros. Os criminosos conseguiram escapar.

De acordo com um oficial, o assalto começou na Lagoa, na zona sul, onde um morador tinha ido correr pela manhã. Ao estacionar com seu veículo, um Honda Civic prata, na Lagoa, ele foi rendido pela quadrilha e obrigado a levar os criminosos até o seu apartamento, na Tijuca.

Gustavo Stephan/Agência O Globo
Bandido se escondeu em outro prédio. Chegou a escalar um muro de três metros mas foi preso
O bando se dividiu no carro da vítima e um outro veículo que haviam roubado para praticar a ação, um Fiat Idea preto. Com o morador rendido, a quadrilha entrou no prédio e estacionou os dois veículos na garagem. Em seguida, dois suspeitos seguiram para o apartamento do morador e outros três foram atrás de outros imóveis.

Em seguida, três dos ladrões renderam os moradores da cobertura do prédio e um casal que estava com um bebê no elevador. Todos foram levados para a cobertura que, segundo uma das vítimas, foi considerada pelos criminosos como o "QG" (quartel-general) do assalto.

O porteiro do prédio conseguiu fugir e fez contato com dois PMs da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do morro da Formiga. Os policiais faziam patrulhamento a pé e estavam na esquna da rua do prédio que estava sendo assaltado.

Um dos PMs seguiu imediatamente para o edifício enquanto o outro pedia reforço. Os policiais cercaram o prédio e bateram de frente com os criminosos que estavam no playground. Houve a primeira troca de tiros. Um policial acabou levando quatro tiros. Os disparos atingiram a orelha, panturrilha, joelho e pescoço dele. Ele foi internado no hospital da corporação. Tem 50 anos e 30 anos de polícia.

Após o primeiro confronto, os bandidos fizeram contato com os comparsas que estavam na cobertura para avisar da chegada da polícia. Os suspeitos desceram rapidamente para colocar os produtos roubados (lap tops, TVs, aparelhos de DVDs e máquinas digitais) dentro do Fiat Idea.

Um dos bandidos foi em busca de reféns para que a quadrilha conseguisse deixar o prédio em caso de novo confronto com os policiais. Ele rendeu dois homens que estavam em um Renault Logan, em frente ao edificio, esperando um morador.

Os dois foram retirados do veículo enquanto que o criminoso assumiu a direção. O restante da quadrilha vinha atrás no Fiat Idea. Quando o carro saía da garagem, a rua foi cercada pelos PMs. Houve nova troca de tiros.

Quatro bandidos conseguiram fugir. Um no Logan e três no Fiat Idea. Porém, o último veículo foi atingido por tiros e acabou sendo abandonado pelos criminosos. Eles saíram correndo, renderam motoristas de uma picape S-10 e seguiram em direção ao Alto da Boa Vista.

No caminho, eles abandonaram a picape e roubaram um Gol verde. Na sequência, também renderam o motorista de um Siena preto e o levaram como refém até Benfica, na zona norte, onde a vítima foi libertada. Por causa deste trajeto, os policiais suspeitam que a quadrilha possa ser da favela Parque Arará ou do Jacarezinho.

* Colaborou Beatriz Merched

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