Após escândalo, Arquidiocese do Rio escolhe novo ecônomo

Monsenhor Abílio Ferreira foi detido no último domingo quando tentava embarcar para Portugal com 52 mil euros

iG Rio de Janeiro |

A Arquidiocese do Rio de Janeiro deve concluir até o início do mês de outubro a escolha do ecônomo que irá substituir Monsenhor Abílio Ferreira, de 77 anos, detido no último domingo pela Polícia Federal . Segundo a Cúria, a eleição é feita pelo arcebispo Dom Orani Tempesta e segue critérios não divulgados. Até a nova escolha, um conselho administrativo eleito pelo arcebispo cuidará das finanças da Igreja.

O monsenhor havia solicitado o afastamento do cargo de ecônomo da arquidiocese em maio deste ano, alegando motivos de saúde e idade avançada. Ele, no entanto, continuava a exercer as funções a pedido de Dom Orani enquanto um novo responsável pela administração dos bens não fosse escolhido. A previsão era de que o religioso ficasse nessa condição até outubro, mas com o ocorrido o término foi antecipado.

Abílio Ferreira foi preso no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio, quando tentava embarcar para Portugal com 52 mil euros, dos quais só havia declarado sete mil. Pela lei, passageiros só podem viajar para fora do Brasil com até R$ 10 mil ou o equivalente em outra moeda. Acima dessa quantia, o valor deve ser declarado.

De acordo com a Polícia Federal, os agentes chegaram até o religioso através de uma informação recebida pelo Disque-Denúncia. A mensagem indicava que o monsenhor levaria consigo para a Europa 50 mil euros sem declaração de imposto. Ele foi abordado quando tentava embarcar em um voo da empresa aérea TAP, marcado para as 18h45.

Na inspeção, os policiais encontraram 45 mil euros escondidos em meio à bagagem. Outros sete mil euros estavam em uma sua bagagem de mão. Na carteira do religioso, havia ainda 778 dólares e mais 895 euros.

Preso em flagrante pelo crime de evasão de divisas - que prevê pena mínima de dois anos de prisão -, Abílio Ferreira foi encaminhado para a delegacia da PF no aeroporto e, de lá, seguiria para o presídio Ary Franco. Advogados da Arquidiocese do Rio, no entanto, conseguiram a liberdade provisória de seu cliente junto à juíza Maria do Carmo Freitas Ribeiro, da 8ª Vara Federal de Execução Fiscal, plantonista na ocasião.

No pedido, os advogados alegaram não haver motivos para a prisão preventiva visto que o monsenhor não representava ameaça à ordem pública ou econômica e que não colocaria em risco a instrução criminal. Na solicitação, eles ressaltaram ainda que tratava-se de um indiciado primário, com bons antecedentes e “diversos problemas de saúde”. O caso foi encaminhado para a 3ª Vara Federal Criminal do Rio e ficará a cargo do juiz Lafredo Lisboa Vieira.

Defesa

Em nota enviada à imprensa pela Arquidiocese do Rio, o monsenhor alegou que estava indo viajar de férias para sua cidade natal, onde visitaria seus parentes, celebraria um casamento e um batizado. Segundo ele, a quantia apreendida era parte de suas economias pessoais, adquiridas ao longo de anos, cuja procedência era declarada.

“Minha intenção era ajudar meus parentes pobres e a paróquia onde fui batizado. Reconheço e lamento o erro de não ter informado, previamente, que estava de posse de minhas economias durante a viagem”, alegou em nota o religioso, sacerdote há 51 anos.

Monsenhor Abílio Ferreira retornou ao cargo de ecônomo da Arquidiocese do Rio - função que já havia exercido anteriormente - em maio de 2009, em substituição ao padre Edvino Steckel com a promessa de moralizar as finanças da Igreja. Seu antecessor foi afastado em meio a denúncias de gastos indevidos.

Uma auditoria feita na época apontou que, em 16 meses a frente da administração dos bens financeiros da arquidiocese, Edvino gastou R$ 14 milhões em despesas desnecessárias ou não justificadas. Entre as compras, estavam sofás e poltronas de couro com enchimento de penas de ganso.

O estopim para o afastamento de Edvino foi a descoberta da compra de um apartamento de luxo com 500 metros quadrados pela arquidiocese. O imóvel, localizada no bairro Flamengo, zona sul do Rio, teria sido adquirido por R$ 2,2 milhões.

O apartamento serviria de residência para Dom Eusébio Oscar Scheid, que antecedeu o atual arcebispo, Dom Orani Tempesta. Scheid foi morar em São José dos Campos, em São Paulo, após se aposentar.

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