Após denúncia de propina, PM anuncia novo comando de UPP

Secretário estadual de Segurança disse que não há crise no modelo de pacificação

iG Rio de Janeiro |

O capitão Sérgio Stoll, de 28 anos, é o novo comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12) pela Polícia Militar. Stoll está há dez anos na corporação, já passou pelo 4° BPM (São Cristóvão) e, nos últimos seis anos, trabalhou no Batalhão de Choque. Ele é instrutor de armamento não letal.

O posto de subcomandante da UPP foi assumido pelo tenente Célio Alves, de 30 anos. Com exceção dos três anos nos quais trabalhou com operações no Batalhão de Choque, ele sempre atuou na área correcional da polícia.

A mudança no comando da UPP dos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro aconteceu após a denúncia de um esquema de propina na unidade. Traficantes pagariam quantias a policiais lotados na UPP para que ações de fiscalização não fossem feitas. Os agentes também não fariam repressão ao comércio ilegal de drogas nessas comunidades ocupadas.

Reportagem divulgada no domingo (11) pelo jornal “O Dia” aponta que o esquema abasteceria os agentes com valores que variam de R$ 400 a R$ 2 mil e no mês totalizam mais de R$ 53 mil. As quantias seriam enviadas em envelopes nominais e variavam de acordo com a patente e a importância do soldado no policiamento.

A UPP investigada foi inaugurada em fevereiro deste ano. Localizada entre os bairros do Rio Comprido, Catumbi e Santa Teresa, a unidade conta com um efetivo de 206 soldados.

Crise

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (12), o secretário de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que não há crise nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Além do esquema de corrupção no Morro do Fallet , confusões foram registradas nos últimos dias nas UPPs da Cidade de Deus e do Morro dos Macacos . Um confronto também aconteceu no Complexo do Alemão, que vai receber uma UPP a partir de março de 2012 e atualmente está ocupado pela Força de Pacificação do Exército.

“Não é uma crise, isso não existe. São 40 anos ou mais de ilhas de violência e estamos entrando e permanecendo nesses lugares. Nunca vendi a ilusão, e nunca venderei, de que não enfrentaríamos problemas, mas é imprescindível que se continue. Não podermos perder força”, declarou Beltrame.

*com reportagem de Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro

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