Antes de ser preso pela última vez, Matemático teria pago propina a policiais

Reportagem do iG teve acesso a trechos de escutas telefônicas em que traficante oferecia dinheiro a maus policiais

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

Divulgação/Disque-Denúncia
Traficante Matemático pagou propinas a policiais antes de ser preso pela última vez, em 2004
O traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, foi preso pela última vez em 2004 passeando em um shopping da capital paulista.

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Meses antes da prisão, interceptações telefônicas flagraram o bandido negociando o pagamento de propinas a PMs que faziam incursões no Complexo de Favelas de Camará, na zona oeste do Rio.

Trechos das conversas foram publicados em um acórdão do Tribunal de Justiça fluminense (TJ-RJ) em um processo que Matemático foi condenado a seis anos de prisão. Embora antigo, o conteúdo das conversas jamais foi divulgado e nenhum policial chegou a ser identificado.

Em uma das escutas feitas na época, um aliado do bandido disse a Matemático que PMs do extinto Getam (Grupamento Especial Tático Móvel) entraram na favela à procura de um traficante.

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O mesmo comparsa perguntou ao chefe se deveria pagar R$ 700 aos policiais para que eles parassem a incursão. Ele disse que deveria oferecer R$ 500 mas se, caso reclamassem, poderia dar R$ 700.

Em outra gravação, Matemático comentou ter sido informado que dois traficantes da favela foram detidos e perguntou quanto os policiais querem para "soltar os moleques". Um suposto PM pediu R$ 10 mil mas o bandido disse que não poderia pagar porque a boca de fumo da área não faturaria tanto.

O policial fez uma contraproposta e exigiu R$ 5 mil. Matemático, então, disse que daria R$ 2 mil. O homem que seria PM afirmou que não poderia aceitar e que a dupla detida iria para a dura (presos).

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Em outro trecho da mesma conversa, Matemático insiste para que os supostos PMs aceitem os R$ 2 mil e oferece ainda um pagamento semanal. Os policiais, então, aceitam e liberam um dos traficantes detidos.

Uma interceptação telefônica da época mostrou também o traficante Matemático sendo questionado por um subordinado sobre como ficaria o "arrego dos canas".

O aliado diz que teriam que pagar PMs de duas Blazers, da "Casinha" (nome que se dá ao Posto de Policiamento Comunitário) e da P2 (Serviço Reservado do batalhão da área) que estariam em uma listagem. Matemático, no entanto, afirmou que só pagaria R$ 1.000 para a P2 e a PMs de uma das Blazers.

No mesmo acórdão do TJ-RJ, há citada uma conversa também em que Matemático diz a um comparsa para levar o dinheiro para as viaturas. Segundo o trecho, os PMs teriam recebido R$ 500 na Vila Aliança.

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