Antes de cair, Priscila voou 1 km e 2 minutos presa pelas axilas ao parapente

Sem estar presa às pernas, cadeirinha escorregou pelas costas da nutricionista logo após a decolagem. Em vídeo, diretor do clube de voo mostra o que ocorreu

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

A nutricionista Priscila Boliveira, 24 anos, que morreu após cair de um parapente da altura de cerca de 30 metros, escorregou da “selete” – espécie de cadeirinha em que ficaria sentada no voo – porque não tinhas as pernas travadas pelo equipamento de segurança.

A comissão técnica do Clube São Conrado de Voo Livre, que fez investigação sobre o caso, concluiu que “houve negligência do instrutor Allan Figueiredo na verificação de equipamento e travas de segurança” de Priscila. Ele foi afastado por tempo indeterminado. Segundo eles, se as travas estivessem presas, o voo teria transcorrido normalmente, sem incidentes.

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De acordo com a comissão, Priscila chegou a atar a trava de segurança na primeira tentativa de decolagem, frustrada. Em seguida, cerca de dois minutos depois, ela já não estava presa devidamente, o que provocou o acidente.

Assim, de acordo com o diretor do clube Vinícius Cordeiro, como não estava presa, a nutricionista caiu ao saltar da rampa e não conseguiu se sentar na cadeirinha, logo após a decolagem. O aparato escorregou pelas suas costas, e Priscila ficou presa por cerca de 2 minutos e 1km, no percurso entre a rampa de decolagem e a praia de São Conrado.

Agência O Globo
Priscila Boliveira não estava presa pelas pernas à cadeirinha
“As duas travas que sustentavam as pernas estavam abertas. O peitoral estava fechado, por isso ela não caiu na rampa. Allan tentou segurá-la com todas as forças, mas infelizmente ela caiu de 30 metros, 10 segundos os separaram de um pouso”, disse Cordeiro.

A nutricionista, irmã do ator da TV Globo Fabrício Boliveira, caiu de cerca de 30 metros de altura. Figueiredo foi indiciado por homicídio culposo, sem a intenção de matar, por negligência.

“Preciso ajustar a selete no aluno, perneiras, ajustáveis de acordo com o peso e tamanho corporal. Precisa sair dali (decolar) com tudo fechado e ajustado. Não há equipamento solto nem como se soltar, depois que instrutor checa”, afirmou Cordeiro, representante do clube com 120 instrutores e 700 pilotos.

Os diretores do clube admitiram que não há outra pessoa, além do instrutor, para checar se os equipamentos de segurança estão devidamente ajustados. “Não passamos a responsabilidade da checagem para o funcionário da rampa. É responsabilidade do instrutor. Estaríamos atestando que o instrutor não tem qualificação. O funcionário organiza a decolagem, avisa à sede algo que a estação meteorológica não veja, não faz essa checagem”, afirmou inicialmente o diretor Flávio Dias.

Após a divulgação do laudo que responsabiliza o instrutor pelo acidente, porém, o diretor Vinícius Cordeiro afirmou que os procedimentos de segurança serão ampliados. Um funcionário passará a fazer a checagem de segurança.

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